Sobre a reunião com o NDE a respeito da reformulação do PPC de Pedagogia, no dia 29/04
O CAPED/UNIR vem a público se posicionar sobre a reunião realizada ontem, 29/04, organizada pelo NDE do curso de Pedagogia de Porto Velho, cujo tema era a “Discussão sobre as atividades de Extensão na Reformulação do PPC”. Esta se refere à atual reformulação do PPC, na qual está ocorrendo um intenso debate sobre a aplicação ou não da Resolução CNE/CP 04/2024 e as suas reais consequências.
O primeiro ponto que queremos criticar é o fato de a reunião estar marcada para as 10h. Vários estudantes se organizaram para chegar no horário, porém, quando chegaram ao auditório, depararam-se com uma discussão já em curso. Foi constatado que o presidente do NDE havia iniciado o debate com estudantes do primeiro período desde as 9h30 da manhã, isto é, 30 minutos antes do horário combinado. Isso é muito grave pois, além de não ter possibilitado o acompanhamento da discussão pelos demais alunos, ainda por cima foi realizada uma tentativa de “embelezamento” da proposta de adequação à Resolução 04/2024 e das mudanças nos estágios desde o primeiro semestre como se fosse algo positivo. Tais mudanças já vêm sendo criticadas desde o ano anterior, fruto de diversos debates e posicionamentos de entidades representativas como o próprio CAPED e a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, junto ao conjunto de estudantes, professores e intelectuais honestos. O fato de iniciar a discussão com estudantes que estão tendo o primeiro contato com a nova proposta, sem contextualizar ou apresentar as críticas anteriores, é uma forma de tentar minar o debate acumulado até então.
Tal situação não passou despercebida, e o coordenador-geral do CAPED logo fez questão de questionar o porquê de a reunião ter se iniciado antes, de forma indevida e sem avisos, ao que o professor respondeu desconversando sobre o assunto. No que se seguiu, com a apresentação dos demais professores, viu-se novamente a proposta de um currículo que não foi construído democraticamente, em que ora se utilizavam palavras bonitas para defender uma prática esvaziada de conteúdo científico, ora jogavam confusão sobre os estudantes, falando que os alunos do primeiro período não precisariam se adequar ao novo currículo para, logo depois, se contradizerem dizendo que, sim, todos teriam que fazer uma “transição”.
Tendo em vista que as informações ali passadas eram claramente dúbias, os estudantes, em seu justo direito, realizaram diversos questionamentos, principalmente relacionados à imposição dos estágios desde o primeiro semestre e à curricularização da extensão. Quando as perguntas eram feitas pelo coordenador-geral do CAPED, as respostas vinham sempre na defensiva ou com grosserias. Isso ficou mais expresso nas falas da professora Josiane Brolo, que chegou a afirmar que, se os estudantes tivessem mais representantes no colegiado, isso não daria certo pois iríamos, segundo ela, “votar para não ter aulas”.
O cúmulo do absurdo foi quando ela repetiu, mais de uma vez, que os estudantes não deveriam participar da elaboração do PPC pois “não possuem formação nem conhecimento para isso”, numa postura arrogante e elitista, expressando a ideia de que os estudantes não têm capacidade para ajudar a elaborar o currículo de seu próprio curso. Ela ainda tentou constranger o coordenador-geral do nosso Centro Acadêmico perguntando se ele sabia citar alguma referência sobre a disciplina de “Gênero e Sexualidade”, tentando jogar estudante contra estudante ao dizer que somente ele via problema na proposta.
Queremos expressar o nosso completo repúdio a esses ataques, não só ao coordenador-geral do CAPED, pois os entendemos como um ataque a todos os estudantes e à democracia universitária. Nenhum professor tem o direito de se sentir superior porque tem mestrado ou doutorado; os estudantes podem e devem participar de todos os assuntos que lhes dizem respeito. Exigimos o direito de participar da elaboração do PPC sem que sejamos coagidos ou constrangidos em uma reunião que deveria ser um espaço democrático. Não abriremos mão da defesa de um currículo científico que sirva aos estudantes e ao povo! Por uma comissão com voto paritário, composta por metade alunos e metade professores, para a elaboração do nosso PPC!