A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) repudia com veemência a brutal e covarde ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra os estudantes em luta que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Na madrugada do dia 10 de maio, dezenas de policiais, acionados pela própria Reitoria, invadiram ilegalmente a ocupação estudantil, utilizando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, cassetetes e extrema violência física contra os estudantes, deixando diversos feridos e detidos. Trata-se de mais um episódio criminoso de repressão ao movimento estudantil e de criminalização da legítima luta da juventude por seus direitos.
É importante denunciar, ainda, a postura profundamente contraditória e irresponsável da Reitoria, que, em sua última nota pública, tenta se eximir de qualquer responsabilidade pela ação policial, como se não tivesse sido ela mesma a responsável por autorizar e acionar a entrada da Polícia Militar no campus. Essa tentativa de distorcer os fatos não se sustenta e configura uma grave manipulação política.
Ao agir dessa forma, a Reitoria não apenas se omite, mas assume uma posição ativa de alinhamento com o governo reacionário de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, reproduzindo uma lógica truculenta de repressão, violência e ataque à autonomia universitária. Trata-se de uma atuação em conluio com um projeto político que criminaliza a organização estudantil e busca silenciar, pela força, aqueles que lutam por direitos básicos dentro da universidade.
A ocupação da Reitoria nada mais é que a justa revolta dos estudantes diante da situação de descalabro vivida na universidade, marcada pela precarização das condições de permanência, ataques à assistência estudantil, sucateamento e autoritarismo da administração universitária. Frente às reivindicações estudantis, a postura do reitor foi encerrar negociações e se negar a apresentar respostas concretas às demandas apresentadas pelo movimento. A ocupação, impulsionada pelo movimento estudantil combativo e independente, ecoou entre centenas de estudantes justamente por expressar a indignação acumulada diante de uma universidade cada vez mais distante das necessidades do povo e da juventude trabalhadora.
A resposta da Reitoria da USP foi recorrer à repressão da Polícia Militar fascista de São Paulo. A operação repressiva contou ainda com o respaldo de setores conservadores da universidade, incluindo institutos, departamentos e docentes alinhados à política da Reitoria, que escolheram se colocar ao lado da violência estatal em vez de defender as liberdades democráticas e o direito de organização e manifestação estudantil.
Os reacionários acreditam que a repressão, a violência policial e a criminalização das lutas serão capazes de deter a organização e a mobilização estudantil. Vã ilusão! A história demonstra que nenhuma violência reacionária é capaz de conter a revolta da juventude. Aos estudantes da USP, prestamos nossa irrestrita solidariedade e reafirmamos a necessidade de seguir organizando a luta, elevando a combatividade e fortalecendo a unidade do movimento estudantil independente. Convocamos os estudantes de todo o país, entidades democráticas, movimentos populares e trabalhadores a manifestarem solidariedade ativa aos estudantes da USP e a denunciarem a repressão promovida pela Reitoria e pelo governo de São Paulo!
Todo apoio à luta dos estudantes da USP: Rebelar-se é justo!
Só a luta radical muda a situação: Greve Geral de Ocupação!
Pela garantia da permanência estudantil e do direito de organização e manifestação!