
A paralisação com greve de ocupação realizada pelos estudantes da Escola de Belas Artes (EBA) da UFBA vem ganhando contornos cada vez mais combativos, mobilizando e dando um exemplo a toda a universidade na luta pela defesa e conquista de direitos constantemente negados pelos cortes de verbas, encabeçados pelo imperialismo, executados em conjunto pelo governo oportunista de Luiz Inácio (PT) e MEC, e gerido pela burocracia universitária, com a reitoria à cabeça.
No último dia 30 de abril, véspera do Dia Internacional do Proletariado, sob a convocação da iniciativa estudantil Ocupa EBA, o apoio da Organização Estudantil Conjuração Baiana (OECB) e de diversos Centros e Diretórios Acadêmicos, dezenas de estudantes erguendo ao alto faixas, cartazes e a bandeira da heroica Resistência Nacional Palestina, tomaram as avenidas do centro de Salvador em uma poderosa e combativa manifestação, feita em plena hora de almoço, elevando as táticas de luta em meio à greve de ocupação. As faixas e cartazes exclamavam as consignas “Contra o sucateamento da EBA e da UFBA: rebelar-se é justo!” e “Derrotar o sucateamento da universidade pública com greve de ocupação!”.

A manifestação seguiu do Campo Grande, histórico local de mobilizações populares, rumo à reitoria da UFBA, realizando diversas intervenções sobre o sucateamento das condições de estudo dos estudantes da EBA e da UFBA em geral, de forma mais aguda a crise institucional da burocracia universitária, traduzida na má implantação do SIGAA, e as condições prediais e materiais; por exemplo, a situação do Pavilhão de Aulas Germano Tabacof, que já foi condenado e está afundando, mas segue há 13 anos sem ser demolido e reconstruído, deixando salas com número excessivo de estudantes. Por conta da crise do SIGAA, estudantes não conseguem se matricular nas disciplinas básicas, mesmo os calouros não recebem o “prato feito”/PMI.

Ao final da marcha, os estudantes realizaram uma intervenção artística simbolizando o enterro da UFBA, e ocuparam a sessão do Conselho Universitário (Consuni) que estava sendo realizada no prédio da reitoria. Em uma postura antidemocrática e intimidatória, o REItor Paulo Miguez barrou os estudantes de falar, permitindo somente uma representante do Ocupa EBA fazê-lo, e exigiu outras balelas como a retirada de cartazes colados na parede, o que foi respondido pelos estudantes com a tomada do microfone e a realização de intervenções-relâmpago ao final da sessão. A postura do reitor, expondo o engodo da “democracia universitária”, foi sair correndo da sala, denunciada pelos estudantes como uma atitude covarde e autoritária contra os estudantes.

Os estudantes presentes na sessão também denunciaram o descaso da gestão oportunista do DCE da UFBA/UNE/UEB (UJS, JPT e Afronte) com as intervenções estudantis da EBA e de demais campi no Consuni. Enquanto havia a intervenção de uma estudante, o representante da gestão do DCE passou toda a sessão jogando em seu computador, ignorando na prática tudo aquilo falado na intervenção e saindo da sessão quando foi conveniente, antes dos demais estudantes intervirem de forma combativa contra a falta de democracia no Consuni.

A mobilização foi reforçada com a distribuição de 800 panfletos por toda a universidade, convocando os estudantes a se juntarem no bloco combativo e independente.
Reforçando o espírito de luta até a vitória das reivindicações estudantis, os estudantes da EBA realizaram uma nova assembleia na sexta-feira (01/05), tomando posição outra vez mais pela paralisação com greve de ocupação e pela necessidade de elevar as táticas de luta e a mobilização por toda a UFBA. Outras iniciativas, nomeadamente dos estudantes de Pedagogia e de São Lázaro, também pretendem deslanchar ocupações nos próximos dias na UFBA, elevando a mobilização combativa contra o sucateamento da educação pública!