[RJ] Estudantes enfrentam falta de água potável, banheiros interditados e bandejão fechado e de péssima qualidade na UFRJ Praia Vermelha

A situação do bandejão da UFRJ escancara o projeto político de sucateamento das universidades públicas.

Na semana do dia 13 de abril, estudantes que compareceram para seus deveres com sua respectiva formação foram privados de alimentação, água e até acesso aos banheiros — todos esses direitos que a UFRJ tem a obrigação de fornecer a seus alunos, professores e terceirizados. 

Milhares de estudantes dependem do bandejão para se alimentar diariamente! Sua interrupção escancara o quanto a permanência estudantil é tratada como secundária para a reitoria. Prédios insalubres e condições precárias por todo o Campus da Praia Vermelha gritam que os estudantes não são bem-vindos, que nosso lugar não é nos formarmos como pessoas e profissionais melhores. Até muitos professores que dizem apoiar nosso processo na universidade se negam a abonar faltas em situações críticas! 

O direito dos trabalhadores à paralisação é legítimo e deve ser respeitado, mas isso não exime a universidade de sua responsabilidade em garantir o mínimo para os estudantes. 

Esse cenário se agrava diante de um histórico de promessas não cumpridas, como a construção de novos prédios e salas de aula, além da precarização evidente: aulas em contêineres, prédios que pegaram fogo há mais de 10 anos e até hoje não foram reconstruídos, e a ausência de infraestrutura básica. O próprio atual bandejão da Praia Vermelha é emprestado por outro órgão público para que os estudantes façam uso. Mesmo emprestado, a administração não faz o mínimo esforço para manter a funcionalidade, com poucos trabalhadores fazendo dois turnos e trabalhando na folga. Trata-se de um projeto político de sucateamento da universidade pública, em que a lógica é sucatear para depois privatizar. 

No dia 15 de abril, os alunos chegaram ao ápice do descaso: nenhum banheiro do aulário (contêineres) em funcionamento, sem qualquer disponibilidade de água potável, bandejão insalubre fora de funcionamento, tendo que ser limpo por terceirizados paralisados que nem deveriam estar trabalhando. Além disso, quando há funcionamento, a comida oferecida é de péssima qualidade, com relatos de vidro, plástico e até larvas encontrados dentro das marmitas. Os estudantes se reuniram e compartilharam seu descontentamento; não aceitamos ser tratados como invasores em nosso lugar por direito! 

Nesse contexto, o DCE da UFRJ, aparelhado pela organização oportunista correnteza/UJR, mostra-se cada vez mais imobilista! Em vez de organizar a luta combativa no chão da universidade, atua a reboque das burocracias institucionais, de partidos eleitorais e governos. Não defendem de forma firme os direitos e interesses dos estudantes! Dezenas de alunos demonstraram sua insatisfação com o estado atual da UFRJ nos últimos meses, e nada foi realizado por parte deles. A entidade que deveria abraçar os alunos e representar a luta pelos seus direitos relaxa enquanto centenas passam fome e estão sem acesso à água potável. Nem garantir presença aos alunos que não puderam comparecer nessas situações insalubres o DCE tentou.

Diante do sucateamento e das promessas não cumpridas, somente a mobilização independente e combativa dos estudantes pode conquistar mudanças reais! A paralisação acabou e o funcionamento voltou após os terceirizados receberem seu pagamento, mas a situação ainda é intragável: alunos sem prédio ou biblioteca para estudar, trabalhadores cuidando de tarefas para o dobro ou triplo de sua capacidade, professores preocupados que, em suas aulas, os alunos se firam, seja pela fome, sede ou construções instáveis.

Devemos, mais do que nunca, lutar pelos nossos direitos: nós não queremos só o mínimo, nós queremos o que há de melhor, pois a universidade deve estar a serviço dos estudantes e a serviço do povo!

Pedagogia é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar! 

Viva ao movimento estudantil combativo e independente!

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