Estudantes de pedagogia, licenciaturas e outros cursos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) realizaram um cinedebate com quatro sessões durante os dias 16 e 17 de junho, em mobilização para o 43° Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). O cinedebate abordou a história de luta combativa dos estudantes de Pedagogia em defesa da formação científica do curso e ocorreu em salas do Centro de Educação (CE) no dia 16/06 à noite e no dia 17/06 de manhã, de tarde e de noite. Os professores apoiaram com entusiasmo a atividade e cederam prontamente parte de suas aulas para a realização das sessões.
O documentário exibido retrata a luta dirigida pela Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) contra as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de 2006. Na época dos acontecimentos, os estudantes denunciaram que as diretrizes representavam um ataque ao currículo científico do curso, ao impor uma formação docente marcada pelo tecnicismo e pelo esvaziamento teórico. O objetivo principal da atividade foi mobilizar para o 43° ENEPe e contribuir para a organização e o debate político diante dos desafios atuais que os estudantes de licenciaturas enfrentam, como o ataque que a Resolução 04/2024 representa para o curso, conforme os estudantes denunciaram.
Nas sessões do cinedebate, houve o chamado para a participação na luta por obter um transporte da reitoria para a ida da delegação da UFPB para o 43° ENEPe, momento em que os estudantes afirmaram que lutariam até conquistarem esse direito. Também houve a inscrição de estudantes interessados em participar do 43° ENEPe que ainda não tinham se inscrito, criando assim condições para pressionar ainda mais a reitoria a ceder o transporte, devido ao número elevado de interessados.

Cinedebate ocorreu em quatro sessões. Foto/ExNEPe
A mesa do cinedebate contou com a presença de um estudante que falou em nome da ExNEPe e um estudante que representou o Coletivo Aurora Democrática, que também participou do evento. Os ativistas abordaram o histórico de luta dos estudantes de pedagogia contra as tentativas de destruírem seu curso com a contrarreforma do Banco Mundial, incluindo, recentemente, a Resolução CNE/CP nº 2/2015, a Resolução CNE/CP n. 2/2019 e a atual Resolução 04/2024. Apontaram como esses ataques são históricos e remontam ao Regime Militar, e fazem parte do plano do imperialismo para a educação nos países oprimidos.
Além disso, também denunciaram a atual situação da universidade e, especialmente, do CE, onde as cabines dos banheiros femininos, até pouco tempo, sequer tinham portas e, apesar da direção do centro ter instalado as portas recentemente, algumas delas estão sem trancas. Essa precariedade dos banheiros femininos obriga as estudantes a se deslocarem para outros centros sempre que precisam ir ao banheiro. Há também falta de sabão e papel higiênico. Por fim, os ativistas divulgaram o 43° ENEPe e convidaram os estudantes a se somarem à luta por obter um transporte da reitoria.
A receptividade dos estudantes foi grande em todas as sessões e vários dos presentes realizaram falas em que demonstraram apoio à luta da pedagogia. Em uma das sessões, uma estudante destacou os estágios precarizados a que os estudantes são submetidos com cumplicidade da direção do CE e da reitoria. Na sessão da quarta à noite, um estudante denunciou que, além da verba da universidade ser pequena, ela é mal distribuída, com o CE possuindo um orçamento ainda mais reduzido, mesmo tendo o curso de pedagogia, que é o maior da UFPB em número de alunos. Outra estudante denunciou a falta de piso tátil no CE e apontou que presenciou um deficiente visual cair em um corredor do centro por esse problema de acessibilidade. Por fim, os estudantes também denunciaram a falta de cadeiras no centro e uma estudante afirmou que as cadeiras do CE são as que sobram dos outros centros.
