As atividades do quarto dia do 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia se iniciaram após o café da manhã, com muito vigor e em clima de celebração pela vitoriosa manifestação do dia anterior, onde centenas de estudantes, professores, camponeses, indígenas, quilombolas e ativistas marcharam em uníssono pela cidade em defesa das lutas do Povo pela terra, pela educação científica e gratuita e pelo fim da dominação imperialista.

Enquanto a primeira mesa do dia era preparada, os registros da manifestação eram apresentados para os presentes na plenária, fotografias mostravam a massividade e combatividade do ato enquadrada pelas ruas do centro histórico de São Luís, e enquanto isso a plenária entoava palavras de ordem, como “Fora ianques da América Latina! Fora Israel das terras palestinas!”, e “Somos estudantes, não somos pacifistas! E viva a luta anti-imperialista!”, clima que preparou com muita animosidade os palestrantes para a mesa “O papel da pedagogia, licenciaturas, estudantes e professores na defesa do ensino público, gratuito e científico”, sendo eles:
- Professor Marcos Calazans, doutor em educação pela UFMG;
- Professor Graciliano da Silva Dias, doutor em educação pela PUC, coordenador do Curso de Pedagogia e Presidente do Núcleo Docente Estruturante para o desenvolvimento e reformulação do PPC deste curso;
- Estudante Andressa Feitoza, representando a Executiva Fluminense dos Estudantes de Pedagogia;

Na plenária, foi discutida a situação da pedagogia e docência no Brasil, assim como a importância dos estudantes se engajarem politicamente pela transformação da sociedade. Ao contextualizar o atual cenário da educação brasileira, os palestrantes ilustram como a lógica do “menos pior” disseminada pelos oportunistas contribuem para o imobilismo dos estudantes e trabalhadores da educação, que se convencem de que, votando no candidato x ou y, o cenário em que nos encontramos poderia ser revertido, o que nunca de fato ocorreu.
Em seguida, foi apresentada uma recapitulação das reformas educacionais brasileiras aplicadas nas últimas décadas, e como elas são reflexo da intervenção direta do Banco Mundial na política e economia brasileira como parte da sua estratégia de intervenção nos países “em desenvolvimento”. O professor Marcos Calazans aponta em sua fala que “As reformas na educação brasileira ocorrem a partir dessa lógica do Banco Mundial que ele chama de ‘More schooling, little learning’, ou seja, é mais escolarização e menos aprendizagem. Então o que estão de fato defendendo é que não se deve pensar ou priorizar a educação a partir da escola, defende-se que a educação deve ser pensada a partir dos locais de trabalho do setor produtivo. Esse giro é um dos principais elementos dessa reforma, porque elas começam a instrumentalizar e criar condições para um verdadeiro ataque à escola pública no Brasil através da sua privatização e das parcerias público-privadas.”
A mesa ilustra como essa lógica está presente em projetos como o Novo Ensino Médio, que dão a ilusão de escolha e autonomia ao aluno, mas, de um ponto de vista pedagógico, o que realmente fazem é esvaziar da escola todo o seu caráter crítico e científico. Em muitas escolas integrais, as disciplinas acrescentadas ao currículo são ofertadas por empresas, com o objetivo claro de formar trabalhadores a serem explorados.
Os palestrantes reforçaram que as dificuldades enfrentadas no campo educacional no nosso país são responsabilidade direta do imperialismo, e que para que tenhamos uma educação que realmente sirva aos interesses do povo brasileiro, precisamos derrubá-lo. É papel de todos lutar pelo ensino de qualidade, ocupar e defender a escola tal qual um palestino ocupa e defende sua terra. São guerras de diferentes intensidades, mas contra o mesmo inimigo. Isso inclui a defesa das boas condições de trabalho para os professores: um professor com a saúde (física ou mental) conturbada tem dificuldade de transmitir o conhecimento, então, além do fato de que todos merecem ótimas condições de trabalho, um profissional abatido não cumpre seu papel. Ao final, os participantes do evento tiveram a oportunidade de colocarem suas dúvidas e intervenções para serem respondidas pelos palestrantes.
Após o fim da plenária, encaminhou-se o almoço, seguido do turismo. Durante a tarde, a programação foi pensada para que os participantes pudessem conhecer um pouco de São Luís, se dividindo em alguns roteiros propostos e pensados pela Comissão Organizadora. Delegações de todos os cantos do país exploraram as praias da Litorânea de São Luís e passearam pelo Centro Histórico, conhecendo a culinária, cultura e história da cidade. Ao fim da tarde, os participantes retornaram ao Prédio Paulo Freire para se prepararem para a cultural da noite, a tão aguardada Noite das Delegações.
A noite das delegações se iniciou com a apresentação da delegação Amazonense, que trouxe para o evento duas toadas do Boi Caprichoso, uma das principais representações culturais do estado, convidando os participantes do evento a levantarem de suas cadeiras e aprenderem as coreografias. A delegação brasiliense trouxe uma apresentação inédita dos Assoviadores da UnB de músicas populares, e a delegação colombiana, em conjunto com algumas estudantes da delegação pernambucana, trouxeram uma rica seleção musical de músicas colombianas, veja um trecho da apresentação:
Além de muita música e dança, também houveram peças teatrais e poemas, representando não apenas elementos da cultura popular de cada região mas também suas lutas políticas e contexto social. A delegação do Rio de Janeiro apresentou um poema sobre a violência policial e contexto de guerra aos pobres que vivenciam diariamente, ressaltando a importância do movimento estudantil combativo que defende os interesses do povo:
“uma mega operação
transformando nosso lugar em zona de guerra
um espetáculo do estado pra agradar seu eleitorado
chamou de segurança pública
o caos na cidade e a morte na favela
os maiores bandidos dão canetadas e usam terno”
Veja a lista completa de delegações que se apresentaram no dia:
- Amazonas
- Pernambuco
- Distrito Federal
- Colômbia
- Chapecó
- Laranjeiras do Sul
- Rio Grande do Sul
- Florianópolis
- Pará
- Rio de Janeiro
- Curitiba
- Minas Gerais
- Ceará
- Mato Grosso do Sul
- São Paulo
- Irã
A noite da quinta-feira se encerrou ao som da palavra de ordem puxada a plenos pulmões pelas delegações presentes no auditório: “Resistir, lutar com a cultura popular!”
Viva o Vitorioso 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia!
Viva a Executiva Nacional de Estudantes da Pedagogia!
