Cedo pela manhã do 3º dia (22/07) do 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe), a Comissão de Alimentação estava a todo vapor preparando o café da manhã. Os estudantes, no caminho entre seus alojamentos e o refeitório, se depararam com faixas, bandeiras, murais e banquinhas de vendas das delegações que davam à Universidade Federal do Maranhão (UFMA) o espírito que emanava do evento: de uma educação democrática e a serviço dos povos brasileiro e de todo o mundo!






Mesa sobre a intervenção do Banco Mundial na Educação
Mais tarde naquela manhã, ocorreu a mesa de tema “A Intervenção do Banco Mundial na Educação”. A mesa foi composta pela pedagoga e pesquisadora paranaense Prof.ª Maria Carolina, o pesquisador Prof.º Dr. Filipe Gervásio, e a pesquisadora e docente da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Prof.ª Dr.ª Lucenilda Sueli.
A palestra debateu como a economia baseada na exploração de camponeses para extração de matéria-prima – em favor do Latifúndio e da Grande Burguesia – e a exportação desta matéria-prima para países industrializados – em favor do Imperialismo – interfere na educação. Um exemplo disto é o orçamento educacional brasileiro que recebeu um corte de R$ 500 milhões, sendo o valor total para a educação no ano de 2026 R$ 199,7 bilhões. Os palestrantes mostraram que isso não é falta de dinheiro, mas um ataque, já que R$ 525 bilhões foram entregues pelo Governo Federal ao Latifúndio, através do Plano Safra.
Além disso, o mísero orçamento não será integralmente para a Educação Pública, devido às políticas privatistas que entregam cada vez mais a educação brasileira às empresas privadas. E ainda por cima, o pouco que sobra para a educação de fato pública é entravado pelo esvaziamento do conteúdo científico dos currículos das escolas e universidades, causado pela interferência de organismos estrangeiros, como o Banco Mundial (BM), a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).


Esta interferência imperialista na Educação Brasileira se expressa em medidas como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que substitui a formação crítica e científica por uma tecnicista, voltada a formar mão-de-obra barata – leia-se: transformar os estudantes de escola pública em apertadores de parafuso. Esta política se expressa também na formação dos pedagogos, que são atacados por medidas como a Base Nacional Comum – Formação de Professores (BNC-FP), que visa fragmentar os três pilares da profissão (Docência, Gestão e Pesquisa), com o objetivo de criar educadores com perfil “docente instrumental”, tarefeiro, desintelectualizado, dócil, leitor de slides – leia-se: tem como objetivo acabar com a formação de cientistas de educação para formar dadores de aula.
A palestra também debateu como essas medidas afetam a profissão do professor, que é atacado durante a sua formação acadêmica; é responsabilizado individualmente pela qualidade do ensino dentro de sala de aula; além dos baixíssimos salários de fome.


Grupos de Debate sobre agressão imperialista ianque e a luta pela terra
Pela tarde, foram realizados Grupos de Discussão (GDs), sobre o tema da mesa do dia anterior, “A agressão imperialista ianque na América Latina e a luta pela terra”. Durante os GDs, os participantes que assistiram a palestra no dia anterior tiveram a oportunidade de aprofundar ainda mais sobre as bandeiras de luta e as problemáticas levantadas durante o debate, relacionando o assunto à educação brasileira.
Poderosa manifestação de estudantes e trabalhadores estremece o Maranhão
Após os GDs, a juventude se preparou para uma das atividades mais importantes do 43º ENEPe: A manifestação. Os participantes do Evento foram ao local de início do protesto, com dois ônibus, conquistados para o evento pelas delegações participantes e pela Comissão Organizadora (CO).

O protesto começou por volta das 16h e se dividiu em três massivos blocos: o da luta pela terra, composto por centenas de camponeses da União das Comunidades em Luta (UCL) e da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), além de membros do Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra (COMSOLUTE); o bloco estudantil, composto por algumas centenas de estudantes, principalmente estudantes de pedagogia e outras licenciaturas e entidades, como Centros e Diretórios Acadêmicos e Grêmios Estudantis secundaristas; e o bloco anti-imperialista, composto por mais centenas de ativistas da causa anti-imperialista e suas organizações, como a Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI).




A participação de mais de 500 estudantes, professores, camponeses, indígenas e quilombolas marcou a atividade como a maior manifestação organizada pela ExNEPe da história e é um golpe contundente no imperialismo e em todos os inimigos da educação brasileira!
Os estudantes e trabalhadores, portando bandeiras de organizações e povos em luta, faixas com consignas como “Jovem Guarda”, escrita em vários idiomas; “Em defesa do ensino público, gratuito e a serviço do povo!”; “Viva a Revolução Agrária! Morte ao latifúndio!”; e “O imperialismo é um tigre de papel! Fora ianques da Venezuela e da América Latina!”; entoaram em uníssono palavras de ordem como “Derrubar os muros da universidade! Servir ao povo no campo e na cidade!”, “Pedagogia é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!”, “Luiz Inácio, cara de pau! É funcionário do Banco Mundial!” e “Somos estudantes, não somos pacifistas! Viva a luta anti-imperialista!”. A manifestação também recebeu apoio de vários transeuntes.




Após o poderoso ato, os estudantes e trabalhadores retornaram para a UFMA em seus ônibus. Mesmo com a alimentação sendo servida no Restaurante Universitário (RU), a Comissão Organizadora do Encontro conseguiu garantir a entrega de marmitas com a comida do RU para todos os manifestantes.
Roda de Coco com a Mestra Roxa
A roda de coco da Mestra Roxa reuniu o público em uma apresentação com música, dança e percussão. Conduzida pelas mestras e pelos músicos, a roda foi acompanhada de perto pela plateia, que participou com palmas e dança ao longo da atividade.





Viva o Vitorioso 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia!
Viva a Executiva Nacional de Estudantes da Pedagogia!
Pedagogia é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!
