Reproduzimos matéria do Jornal A Nova Democracia
Dois policiais militares (PMs) executaram o jovem Leonardo Ribeiro, de 19 anos, com tiros no peito e nas costas, na madrugada do dia 2 de fevereiro, durante uma abordagem violenta na saída do Morro dos Macacos, zona norte do Rio de Janeiro. O jovem estava indo para casa depois de ter assistido ao jogo entre Flamengo e Corinthians com amigos.
Imagens de uma câmera de uma residência próxima registraram o momento em que o jovem está contra a parede, já abordado pela viatura. O policial do banco do motorista contorna o carro e se aproxima de Leonardo, gesticulando violentamente. O jovem reage e uma briga corporal é iniciada entre os dois. Simultaneamente, um outro policial sai do carro e parte para cima de Leonardo.
Durante a briga, Leonardo e o policial caem no chão. O militar reacionário golpeia o jovem com o bico do fuzil no rosto enquanto o outro policial circunda a briga com o fuzil em riste até achar um ponto preciso para alvejar Leonardo diretamente nas costas e no peito, regiões letais, com cerca de dois a três tiros.
O policial envolvido na briga no chão aproveitou os tiros de execução para se desvencilhar, mas perdeu o colete balístico no ato. Leonardo tentou usar a vestimenta para se proteger de mais tiros, mas acabou não resistindo aos ferimentos já feitos. Em nenhum momento os policiais prestaram socorro obrigatório. Os militares também afastaram moradores do local que tentaram se aproximar para entender o ocorrido.
“No registro [da ocorrência], o policial que atirou disse que deu um tiro de advertência para o alto, mas é mentira. As imagens mostram que todos os tiros foram na direção do Leo, nas costas e no peito. Foi execução”, diz um amigo do executado, em condição de anonimato.
Para um outro amigo, muito próximo de Leonardo, o caso também foi uma execução clara. “Se é proibido atirar em uma pessoa armada pelas costas, imagina uma pessoa desarmada e no chão? E de tiro de fuzil, ainda por cima? Qual a necessidade disso? Qual a justificativa?”, questiona.
Ele também comparou a diferença na abordagem policial contra pessoas pobres e ricaços. “Roberto Jefferson tacou granada na Polícia Federal, feriu uma policial e foi preso com sorriso pelos federais”.
Estudante da Uerj
Leonardo era estudante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Era um jovem muito bom, de família, prestativo, sempre ouvia os mais velhos”, diz o amigo consultado pela reportagem. “Um jovem com uma vida inteira pela frente que teve sua vida arrancada de forma covarde”.
Leonardo também era conhecido por defender causas progressistas e direitos e liberdades democráticas do povo. Em seu perfil no Instagram, ele registrava suas posições pela libertação do povo palestino e participações em manifestações por pautas como o fim da escala seis por um (6×1). Às vezes, ele também levava a bandeira da Palestina para jogos no Maracanã.
Nas “redes sociais”, grupos ligados ao Grêmio Recreativo Cultural da Torcida Jovem do Flamengo manifestam indignação e cobram justiça. “Até quando vamos ver esse tipo de cena? Quantos jovens serão precisos morrer, para que se faça alguma coisa? Queremos justiça!”, escreveu o Pelotão Central, grupo regional da torcida ao qual Leonardo pertencia.
O jornal A Nova Democracia segue acompanhando o caso e a matéria segue aberta para mais pronunciamentos de amigos e familiares. A tribuna também entrará em contato com a Uerj em busca de algum posicionamento.