Cerca de 100 estudantes participaram do Pós-ENEPe realizado no dia 11 de setembro, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, em uma atividade que combinou o debate sobre currículo e reformas curriculares, denúncia do sucateamento das universidades e, sobretudo, a retomada da organização estudantil com o chamado à Assembleia pela reativação do Diretório Acadêmico de Pedagogia Remís Carla. O Pós-ENEPe aconteceu em dois turnos, com a primeira mesa das 14h às 16h30 e a segunda das 17h às 19h30, sob o tema “O papel da Pedagogia e licenciaturas em defesa do currículo científico e da universidade pública”.
A primeira mesa foi concentrada no debate sobre currículo e reformas curriculares. As falas partiram da crítica à chamada formação por “competências” e à maneira como reformas educacionais, a exemplo da BNCC, interferem negativamente na formação escolar e universitária. Foi apontado que a redução do conhecimento científico e a transformação do professor em um mero dador de aula fazem parte de um processo longo de desvalorização da formação. O debate também relacionou essas reformas à atuação de organismos internacionais e à ofensiva imperialista sobre a educação brasileira, destacando a presença do Banco Mundial e do FMI na orientação das políticas educacionais. Nesse sentido, a defesa do currículo científico foi colocada como uma trincheira de luta: defender o acesso dos estudantes ao conhecimento produzido e sistematizado historicamente pelo homem, à pesquisa e à ciência é combater a formação superficial que interessa apenas as classes dominantes. É ordem do dia lutar por uma educação que permita compreender e transformar a realidade.
A segunda mesa, realizada das 17h às 19h30, teve como eixo principal o sucateamento das universidades. As falas relacionaram o avanço do sucateamento aos interesses do imperialismo ianque com políticas de precarização implementadas sobre a educação pública. Foi destacado que esse processo não ocorre da mesma maneira em todos os países e que, nos países dominados, a ofensiva sobre a educação assume características próprias, aprofundando a dependência e procurando garantir uma formação adequada às necessidades do imperialismo. As intervenções trouxeram para o centro da discussão as condições concretas de permanência dos estudantes. Foram mencionadas, a dificuldade de permanência, a precarização das condições de estudo e a expulsão disfarçada de evasão dos estudantes da universidade. Foi reforçado que a luta pela universidade pública, não pode ser reduzida à defesa abstrata da instituição. É preciso lutar para que os estudantes tenham condições de permanecer, estudar, pesquisar e concluir sua formação.
Foi nesse terreno que ganhou importância a convocação da Assembleia pela reativação do Diretório Acadêmico de Pedagogia Remís Carla, que acontecerá no dia 17, nesta quinta-feira. Em um Centro de Educação marcado anteriormente pela pelegagem, conciliação e imobilismo, não se tratou de um chamado vazio. O imobilismo afastou os estudantes, fazendo com que estes acreditem que seus problemas de permanência, estudo e aprendizagem sejam particulares ao invés de generalizados. O oportunismo foi e ainda é incapaz de mobilizar e de enfrentar os problemas reais dos estudantes, já que conciliam os interesses da burocracia universitária com a miséria dos estudantes, tentando convencê-los de que não há força para mudar a realidade.
O Pós-ENEPe escancarou na prática a direção contrária: colocou mais de 100 estudantes reunidos para discutir os problemas da nossa formação, da universidade e deixou claro a importância do movimento estudantil independente, classista e combativo para que sirva aos interesses dos estudantes do Povo e das camadas mais profundas da nossa sociedade.
