[PE] Coletivo Remís Carla realiza caloroso Pós-ENEPe: “Luta pela terra e educação no campo” na UFRPE!

No dia 2 de setembro, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), foi realizado o Pós-ENEPe com o tema: “Luta pela terra e educação no campo!”  A atividade, iniciada às 18h, reuniu mais de 40 pessoas e contou com representantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO), da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), do Comitê em Apoio à Luta dos Posseiros de Barro Branco e do Diretório Central dos Estudantes da UFRPE, gestão Articulação Indígena Estudantil (AIE). O debate apresentou experiências concretas da luta pela terra, discutiu o papel da juventude e dos estudantes, a educação popular e a luta dos indígenas, reafirmando a necessidade da unidade entre as lutas do campo e da cidade.

A representação da Liga dos Camponeses Pobres apresentou um histórico das lutas desenvolvidas pela organização e destacou o avanço da luta pela terra no país, desde as batalhas em Rondônia até a resistência em Barro Branco, que conta com o apoio de estudantes da cidade. A intervenção ressaltou que a luta pela terra não pode ser compreendida como uma questão isolada e sim como parte da luta das massas camponesas contra o latifúndio. Nesse sentido, reafirmou-se o princípio de que “a terra é de quem nela vive e trabalha” e a sólida perspectiva de que o latifúndio está destinado a ser derrotado pela luta organizada do Povo. A intervenção da ABRAPO tratou do papel da advocacia popular na defesa dos trabalhadores, estudantes e camponeses. Partindo do lema de que é necessário lutar para o povo poder lutar por seus direitos, a fala destacou que o advogado popular atua dentro de um campo marcado pelos interesses das classes dominantes. A partir de referências a Mao Tse-tung e Engels, foi discutido também o problema da corrupção, do suborno e das formas menos visíveis de cooptação que podem aparecer durante a luta. A situação da titulação das terras em Barro Branco e a resistência dos posseiros também foram colocadas como exemplos concretos da disputa em torno da propriedade da terra.

Pela Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) a discussão concentrou-se no papel da educação e em como os estudantes podem apoiar a luta camponesa. Foi defendida a importância das escolas populares para a educação dos camponeses, compreendendo a educação para além da alfabetização e reivindicando uma verdadeira formação científica, ligada às necessidades reais das massas e em como esta serve como mobilização para a luta. A intervenção criticou concepções rebaixadas de educação no campo, que reduzem o conhecimento destinado ao campesinato a práticas superficiais, defendendo uma educação que contribua para a formação política, científica e cultural do Povo. A intervenção da ExNEPe também destacou que a unidade entre campo e cidade precisa ser construída concretamente. Se no campo os trabalhadores enfrentam o latifúndio através de ocupações de terra, na cidade os estudantes devem organizar ocupações nas Universidades e escolas, compreendendo que a luta dos estudantes não está separada da luta no campo.

O Comitê em Apoio a Luta dos Posseiros de Barro Branco abordou especificamente o papel da juventude da cidade na luta camponesa. A cidade deve funcionar como uma verdadeira caixa de ressonância das lutas do campo levando suas reivindicações para outros setores da sociedade e contribuindo para romper o isolamento imposto pelas classes dominantes. A luta pela terra, portanto, não é uma luta fragmentada entre diferentes categorias. A representação do DCE da UFRPE e da Articulação Indígena Estudantil colocou em primeiro plano a necessidade de escutar as vozes indígenas. A intervenção chamou atenção para o apagamento enfrentado pelos indígenas em contexto urbano e para a perseguição existente em determinados territórios. Também foram apresentadas críticas ao imobilismo e ao pacifismo ridículo dos movimentos oportunistas e perseguição dentro do próprio movimento, defendendo uma perspectiva de luta combativa e consequente diante dos ataques sofridos pelo Povo.

As intervenções dos participantes que prestigiaram o Pós-ENEPe ampliaram o debate. Uma das falas destacou a importância de espaços como aquele e saudou a presença da Liga dos Camponeses Pobres e das discussões realizadas. Outra intervenção relacionou diretamente a questão indígena à luta pela terra no Brasil, lembrando a exploração histórica dos povos indígenas e a quantidade de riqueza construída sobre seu sangue e sua exploração. Também houve saudações à atuação combativa da LCP, acompanhada do relato de uma participante que afirmou ter retornado do ENEPe com uma compreensão diferente sobre as problemáticas da luta camponesa, que inclusive, só estava aliada ao oportunismo porquê não conhecia a Liga dos Camponeses Pobres.

DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE! SERVIR AO POVO NO CAMPO E NA CIDADE!

VIVA O 43° ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE PEDAGOGIA!

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