Reproduzimos matéria do Jornal A Nova Democracia
A partir de 2026, o governo do Paraná ampliará o programa “Parceiro da Escola”, elevando para 95 o número de colégios estaduais com gestão terceirizada. A medida transfere a empresas privadas serviços como administração, contratação de professores e demais funcionários, segurança, limpeza e manutenção das unidades de ensino.
Inicialmente implementado em 82 escolas, o programa será expandido para novas unidades sob responsabilidade de três grupos privados: Apogeu, Impulso Educação e TOM Educação. Os contratos envolvem a gestão de serviços administrativos e de infraestrutura.
R$155 milhões do dinheiro do povo para as empresas
Entre janeiro e agosto de 2025, as três empresas receberam juntas R$ 155.008.672,11 para administrar as 82 escolas já terceirizadas. Os dados foram repassados pela Secretaria de Estado da Educação (Seed). Segundo a Seed, os valores foram distribuídos da seguinte forma: “Grupo Impulso/Salta – R$ 66.583.081,94 (34 escolas); Educa Paraná/Apogeu – R$ 29.073.705,78 (16 escolas); TOM Educação/Positivo – R$ 59.351.884,39 (32 escolas)”.
O grupo Impulso Educação tem entre seus acionistas o bilionário Jorge Paulo Lemann, sócio da Gera Capital, uma das controladoras do grupo Salta. Lemann figura entre os homens mais ricos do Brasil, com fortuna estimada em US$ 16,1 bilhões, segundo a revista Forbes.
Entre as novas unidades que passarão à gestão privada estão, para o Grupo Apogeu: Os colégios estaduais Victor do Amaral (Curitiba), Homero Baptista de Barros (Curitiba), Gildo Aluísio Schuck (Laranjeiras do Sul) e o Carneiro (Roncador).
Para o Grupo Impulso serão os colégios estaduais Bandeirantes (Campina Grande do Sul), Maria L. F. Pacheco (Balsa Nova), Colégio Estadual Jardim Universitário (Sarandi), Colégio Estadual Brasílio Itiberê (Maringá) e Colégio Estadual Rodrigues Alves (Maringá).
Já para o TOM Educação serão os colégios: Maria Aguiar Teixeira (Curitiba), Cleya Godoy F. da Silva (Londrina), Malvino de Oliveira (Porecatu) e o João Plath (Mauá da Serra).
Cerca de metade dos trabalhadores das escolas do Paraná já são terceirizados, segundo levantamento do APP-Sindicato. A Lei Estadual 20.199/2020, aprovada durante a pandemia, determinou que, à medida que servidores concursados ou contratados via PSS se aposentam, sejam substituídos por trabalhadores vinculados a empresas privadas.
Atualmente, o estado ainda conta com 14.841 agentes efetivos, frente a 14.737 terceirizados, muitos atuando como serventes de limpeza (4.352) e assistentes administrativos (3.270). De acordo com o sindicato, além de aumentar a rotatividade nas escolas, o modelo gera um custo adicional estimado em pelo menos R$ 114 milhões por ano aos cofres públicos.PR: Tentando privatizar escolas à força, Ratinho Jr. muda regras de consulta à comunidade – A Nova Democraciaanovademocracia.com.br
Insatisfação geral com o programa
A Seed afirma que a terceirização foi definida com base em critérios técnicos, como frequência escolar abaixo da média estadual e desempenho no Ideb. No entanto, a ampliação do programa ocorre em meio a críticas de professores, pais e estudantes. Dados da própria Seed de pesquisa realizada em 2024 indicam que, de 177 escolas consultadas inicialmente, apenas 10 (5,6%) teriam aprovado a proposta de adesão ao modelo de gestão terceirizada. Após a baixa adesão, o governador Ratinho Junior alterou regras do processo de consulta para impor a expansão do programa.
Relatos de educadores e educadoras das escolas incluídas no “Parceiro da Escola” apontam que, após a transferência da gestão administrativa para empresas privadas, passaram a ocorrer problemas como escassez de professores(as) e funcionários(as), precarização da estrutura física, distribuição de uniformes de baixa qualidade e aumento de episódios de violência dentro e no entorno das unidades.
Ao contrário do que foi afirmado em 2024 pelo reacionário Ratinho Júnior em entrevista ao Maringá Post — quando declarou que as mudanças administrativas “em nada implicariam na questão pedagógica”,fica mais do que claro que o cotidiano escolar é diretamente impactado pela ultra-precarização imposta pelo reacionário. Em outubro de 2025, o Comitê de Apoio ao AND de Maringá recebeu a denúncia de uma professora que atentou contra a própria vida no banheiro do colégio que trabalhava, consequência da violência institucional promovida pela superexploração dos profissionais das instituições do programa.
O modus operandi no estado do Paraná agora é entregar todos os serviços públicos para as empresas privadas lucrarem, transferindo recursos e responsabilidades para grupos empresariais que unicamente buscam lucrar, enquanto persistem denúncias de precarização das condições de trabalho e da qualidade dos serviços.
