Somente a luta popular combativa e independente pode barrar o intervencionismo ianque e a ofensiva da extrema-direita antipovo e vende-pátria!

A Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), diante da grave e crescente intervenção estadunidense no Brasil e no rumo das eleições, e dos assassinatos, atentados, intimidações e ameaças levados a cabo pela extrema-direita e seus grupos paramilitares, vem a público convocar toda a juventude, os estudantes do campo e da cidade, das escolas e universidades, a cerrarem fileira junto às massas populares na luta pela verdadeira soberania nacional e em defesa dos direitos democráticos de todo o nosso povo.

Em todo o continente, com o suporte do celerado Donald Trump e grande apoio das Bigtechs, governos de extrema-direita, por meio de “eleições”, se alçaram à gerência do velho Estado de seus países e desencadearam grandes ataques à luta popular e aos direitos do povo, ao mesmo tempo em que se alinharam de forma vassala aos interessantes estadunidenses.

No Brasil, a situação não é diferente. Ancorada no apoio ianque a Flávio Bolsonaro, um vendilhão da pátria declarado, cujo pai, carniceiro de mais de 700 mil brasileiros durante a pandemia de Covid-19, encontra-se preso por tentativa de golpe de Estado (apenas um dos seus vários crimes contra o povo e a Nação, mas não ainda o mais grave), a extrema-direita bolsonarista se lançou à ofensiva. O primeiro turno das eleições, marcado pela ingerência ianque com questionamentos, ameaças e sanções vindas pelo menos desde 2025, deu o resultado que o imperialismo estadunidense esperava: o “irmãozão” do Vorcaro saiu à frente.

Mais do que colocar Flávio Bolsonaro à frente, o resultado do primeiro turno das eleições fez do PL, o partido puro-sangue da extrema-direita bolsonarista, a maior bancada do Congresso e do Senado, com 121 das 513 cadeiras e 28 das 81, respectivamente (no total, a bancada do latifúndio, setor bolsonarista por excelência, é composta por mais de 330 deputados e 47 senadores). Em nível de governo estadual, o resultado também marcou o aumento dos governos da sigla: 6 governadores eleitos no primeiro turno e uma disputa no segundo, além de outra dezena de novos governadores alinhados ao bolsonarismo.

Ao analisar esses resultados, podemos fazer uma análise dos fatos de forma resumida:

Primeiro, como já colocado acima, houve flagrante interferência do imperialismo estadunidense, empresas supostamente “imparciais” despejaram rios de dinheiro na campanha do Flávio, manobras políticas de todo o tipo, passando pelo tarifaço, maquinação de um suposto atentado contra o consulado em São Paulo, retirada de embaixadores e a manipulação direta das chamadas Big Techs nas redes sociais favorecendo abertamente a difusão de conteúdo em apoio a extrema-direita.

Segundo, as revoltas de junho e julho de 2013 e 2014 que varreram o País de cima a baixo com manifestações combativas e com caráter principalmente de esquerda, onde a juventude e os estudantes estiveram na linha de frente dos principais combates, acendeu um alerta nas classes dominantes que planificaram e colocaram em marcha desde 2015 uma ofensiva reacionária golpista.  Tendo quase chegado a um golpe de fato em 2023 após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, que só não ocorreu por falta de apoio do então governo americano.

Terceiro, mesmo diante do grave episódio da tentativa de golpe de estado, o que vimos por parte do último governo foi uma política de apaziguamento com a extrema-direita. Nenhum militar do alto escalão da ativa foi punido, o atual governo chegou a proibir eventos oficiais em 2024 data em que se completaram 60 anos do odioso golpe militar de 1964, quando as forças progressistas, democráticas e anti-imperialistas levantaram a palavra de ordem de “Sem Anistia!” setores ligados ao governo inclusive dentro do Movimento Estudantil agiram para frear as mobilizações de rua, pois, diziam que isso “atiçaria a extrema-direita”. Durante as chantagens de Trump articuladas em conjunto com o clã Bolsonaro, Luis Inácio chegou a dizer que eles tinham uma “química”, apostando todas suas fichas na diplomacia burguesa, não compreendendo a gravidade dos acontecimentos. Quando José Múcio ministro da defesa falou que abriria os portões caso os EUA invadissem o Brasil, o mínimo que deveria acontecer era ele cair do ministério, o que vimos mais uma vez? Um silêncio constrangedor do alto-escalão do governo. Diante das flagrantes interferências do imperialismo estadunidense no processo eleitoral, existem apenas denúncias tímidas do atual governo, seguem disputando o processo eleitoral como se ele fosse completamente legítimo e  “justo”.

Esse pequeno resumo nos mostra que a política de apaziguamento, e a defesa absoluta das instituições do processo eleitoral como forma de combate a extrema-direita fracassaram. A crise profunda que atravessa todo o sistema político do País, com as instituições envolvidas em todo tipo de escândalos, do qual a extrema-direita também é parte, retroalimenta o crescimento dessas forças reacionárias que em palavras dizem “ser contra o sistema”, mesmo que nos fatos sejam eles mesmo a representação mais direta do “sistema” que falsamente dizem combater.

A interferência direta e descarada dos EUA nas eleições de diversos países, principalmente na América Latina, promovendo todo tipo de lambe-bota e vende-pátria, é mais um demonstrativo da crise sem precedentes na qual eles se encontram. Buscam atacar todo tipo de direito do povo, assim como a supressão das liberdades democráticas (que são muito mais do que poder votar, pois isso eles podem manter sem nenhum prejuízo para si próprios, pois, buscam assim dar ar de legitimidade para os governos vende-pátria da extrema-direita), para roubar mais rapidamente recursos dos países dominados para manter as altas taxas de lucro dos grandes monopólios imperialistas.

Caso a extrema-direita vença as eleições, tudo indica que os ianques buscarão impor acordos militares e ampliar seu domínio sobre o Brasil; se perder, poderão apoiar novas investidas golpistas. Em qualquer cenário, a força capaz de contrariar esses planos está na mobilização independente das massas populares.

Neste exato momento, em todo mundo, a juventude está na linha de frente da luta popular e faz os inimigos do povo tremerem. Devemos nos somar a essa torrente, seguindo o exemplo dos levantes das massas populares na Índia, França, Grécia, Albânia, Estados Unidos, Bolívia, Colômbia, Chile e na Argentina, entre muitos outros países, que ocupam e incendeiam as ruas e demonstram a força da mobilização popular diante dos ataques aos direitos do povo, arrancando conquistas e fazendo seus governos reacionários e de extrema-direita recuarem. Essas lutas enfrentam a repressão e os ataques dos governos imperialistas, como os de Macron e Trump, e da extrema-direita lacaia como o fascista Modi na Índia, reafirmando a importância e a potência da organização e da mobilização independente e combativa das massas populares.

Devemos nos inspirar nas jornadas de 2013 e 2014 no Brasil, nas grandiosas e históricas ocupações secundaristas de 2016, na greve geral em defesa da educação contra o governo militar genocida de Bolsonaro em 2019, na onda de ocupações de universidades e institutos federais em 2021/2022, na luta que segue em curso contra a criminosa BNCC e o “novo” ensino médio. Seguir o combate firme e sem tréguas contra todas as medidas do Banco Mundial que atacam o ensino público, gratuito e científico em nosso País.

Por isso, conclamamos a todos os estudantes a seguirem elevando a mobilização e o protesto popular nas ruas, prosseguindo na luta sistemática contra a extrema-direita, o fascismo, e as ameaças de intervenção dos Estados Unidos no Brasil e em toda a América Latina. Somente com luta é possível não somente defender os direitos conquistados, mais ampliá-los. Aproveitamos também desde já para fazer uma importante convocação: dia 23 de novembro, data histórica de luta do movimento estudantil em nosso País, façamos um vigoroso dia nacional de luta contra os ataques imperialistas ao ensino público, gratuito e científico realizando ações em todo o Brasil.

Avante juventude, a luta é o que muda o resto só ilude.

COMBATER E DERROTAS NAS RUAS A EXTREMA-DIREITA, O FASCISMO E A AGRESSÃO IMPERIALISTA!

DEFENDER COM UNHAS E DENTES O ENSINO PÚBLICO, GRATUITO, CIENTÍFICO E A SERVIÇO DO POVO!

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