[SP] Centro Estudantil de Pedagogia da USP-RP e estudantes do curso realizam vitoriosa XXI Semana da Educação

Entre os dias 05 e 09 de outubro, o Centro Estudantil de Pedagogia (gestão Remís Carla), em conjunto com a turma do terceiro ano do curso, realizou a vitoriosa XXI Semana da Educação na Universidade de São Paulo (USP/RP), no campus de Ribeirão Preto. O evento ocorreu na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), reunindo estudantes do curso de Pedagogia, pós-graduandos, professores da rede municipal e alunos de outras licenciaturas, como Biologia e Enfermagem.

A XXI SEMEDUC destacou-se por sua legitimidade e caráter autônomo, sendo construída diretamente pelos próprios estudantes por meio do co-governo estudantil. Como fruto desse engajamento e reconhecimento acadêmico, o evento integra o cronograma anual da faculdade e é contabilizado como aula por todos os docentes. A comissão organizadora vanguardeou toda a infraestrutura e logística desde o contato com os docentes, envio de cartas-convite, gestão de inscrições e recepção/hospedagem de convidados até a propaganda, montagem e desmontagem diária do espaço.

Demonstrando total independência de organização do evento e financeira, a faculdade custeou apenas algumas das passagens dos palestrantes convidados. Todas as demais despesas (como certificados, lembrancinhas, banners, cartazes e coffee break) foram financiadas de forma autônoma pelos estudantes através da venda de camisetas, rifas, Noite do Pastel, contribuições do “Livro de Ouro” (doação em dinheiro dos docentes da faculdade) junto aos docentes e banquinhas de produtos do Centro Estudantil, do jornal A Nova Democracia e de produtos produzidos pelos próprios estudantes do curso.

Dando início à programação, na segunda-feira (05/10), realizou-se o Pós-ENEPe, com a mesa “A agressão imperialista ianque na América Latina e a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira”. O debate colocou no centro das discussões a ingerência dos organismos internacionais nas diretrizes educacionais do país. Denunciou-se como essas políticas impulsionam a privatização, a precarização do ensino, a expansão da EAD, a plataformização, as avaliações em larga escala e as reformas curriculares baseadas em competências tecnicistas. Além disso, analisaram-se os impactos dessas medidas no esvaziamento do conhecimento científico, na perda de autonomia pedagógica e na precarização do trabalho docente.

A mesa contou com Gracialino da Silva Dias, professor associado da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no campus de Laranjeiras do Sul, Paraná; Victor Bellizia, diretor-chefe do jornal A Nova Democracia; e Andressa Feitoza, presidente da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) e diretora da Executiva Fluminense de Estudantes de Pedagogia (EXFEPE).

A programação seguiu na terça-feira (06/10), com a mesa “A mercantilização da educação: plataformização, EAD e avaliações em larga escala”. Os debates desnudaram os ataques privatistas ocultos sob slogans considerados modernos, como empreendedorismo, adequação às novas tecnologias e integração entre escola e mercado, que mascaram a entrega da rede pública a empresas privadas e a desvalorização dos educadores.

A mesa contou com a presença do professor Newton Duarte, grande referência da Pedagogia Histórico-Crítica ao lado de Dermeval Saviani; Leonardo Sacramento, pedagogo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP); e Teise Garcia, livre-docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP). A atividade atraiu um público amplo e diversificado, reunindo ex-alunos do professor Newton e turmas de Didática da área de Enfermagem.

No terceiro dia, os debates voltaram-se para o tema “Educação antirracista”. A mesa enfatizou a urgência de questionar criticamente os currículos vigentes, as práticas pedagógicas e as relações no ambiente escolar. Destacou-se a necessidade de combater não apenas atitudes individuais, mas também as próprias estruturas sociais que sustentam e reproduzem o racismo.

Antes de iniciarmos as falas dos convidados, trouxemos para esse espaço uma manifestação da cultura popular que tem, em sua essência, a palavra, a vivência, a denúncia e a resistência: o slam, com a participação do grupo Slam 016.

Na sequência, participaram da mesa Marlene Emilia dos Santos Totarelli, gerente do Centro de Referência em Educação para as Relações Étnico-Raciais (CRERER), da Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto; Marcelo Vinicius Domingos Rodrigues dos Santos, que atua no Coletivo Abayomi desde sua fundação, como ativista racial; e Helen Cristina Caetano, que atua desde 2019 no Coletivo Abayomi, desenvolvendo ações na cidade enquanto ativista na luta antirracista.

Na quinta-feira, realizou-se a palestra sobre “Violência infantil”. Os convidados abordaram de forma detalhada os encaminhamentos dos casos de violência contra crianças, articulando as medidas legislativas e institucionais cabíveis aos aspectos emocionais e psicológicos decorrentes dos traumas vivenciados na infância. A atividade contou com a participação da Profa. Dra. Diene Monique de Carlos, da Profa. Dra. Larissa Horta Esper e do Prof. Fausto.

Fechando a semana, a mesa de encerramento abordou o tema “Pedagogia para além da escola: educação em espaços não formais”. O debate contou com o relato de Ciro sobre as ações de cultura gratuita desenvolvidas na Biblioteca Sinhá Junqueira, e com a marcante fala da camponesa Representante  da Campanha de Alfabetização das Escolas Populares no Norte de Minas, que compartilhou sua experiência na alfabetização de crianças em sua comunidade, evidenciando a força da organização popular na conquista de direitos.

A XXI SEMEDUC encerrou-se com uma avaliação amplamente positiva entre os participantes, consolidando-se como um marco na formação política e científica dos estudantes do curso. O sucesso da atividade reafirmou que a defesa do ensino público, gratuito e científico exige a constante organização e luta independente da juventude e dos trabalhadores da educação.

VIVA A XXI SEMANA DA EDUCAÇÃO DA USP-RP!

A NOSSA LUTA É TODO DIA, EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

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