No dia 10 de agosto, o Coletivo Remís Carla realizou uma importante atividade de acolhida aos novos estudantes de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Desde a manhã até o turno da tarde e noite, os calouros foram recebidos com uma atividade construída a partir da mobilização estudantil. Durante as acolhidas, foram distribuídos kits aos calouros, acompanhados de um Manual de Sobrevivência, reunindo informações necessárias para a vida acadêmica e explicando sobre como funciona a burocracia universitária. A atividade buscou não apenas apresentar a instituição, mas também apresentar aos novos estudantes as lutas que permeiam o curso da pedagogia e a importância deste para construir uma nova e melhor sociedade.

Um dos momentos de maior peso da atividade foi a apresentação da história de Remís Carla, que dá nome ao coletivo. Sua trajetória foi apresentada aos calouros como parte da memória viva do movimento estudantil independente, classista e combativo bem como exemplo da necessidade de organização sob a bandeira da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia. Falar de Remís Carla é falar de uma estudante que está presente na luta e que, através de sua trajetória, permanece como referência para aqueles que não aceitam uma universidade submetida aos interesses das classes dominantes. Resgatar seu nome significa defender que a juventude não deve permanecer passiva diante dos ataques à educação, da precarização da universidade e das condições impostas aos estudantes e trabalhadores da nossa nação.

A acolhida, pelo Manual de Sobrevivência, também foi espaço para apresentar aos calouros uma discussão sobre a farsa eleitoral, colocando em debate o papel das eleições como tentativa de apaziguar a luta de classes. A palavra de ordem apresentada foi direta: “Não vote, lute!” A apresentação apontou que os estudantes não devem depositar suas esperanças naqueles que aparecem periodicamente para pedir votos para candidatos e cargos, enquanto a universidade permanece marcada pela precarização, falta de estrutura e ataques às condições de permanência estudantil. Também foram pautados o rompimento com a União Nacional dos Estudantes e a forma nojenta de conciliação com o Governo Federal via MEC, que negocia os direitos dos estudantes, são responsáveis tanto pela aplicação das políticas do Banco Mundial para a Educação quanto pela péssima condição do Restaurante Universitário e pela contratação da autoproclamada “segurança” privada que só serve para perseguir os estudantes que lutam.

Em contraposição à passividade, foi apresentado o movimento estudantil como forma de organizar a luta combativa, sem se colocar a serviço de governos, partidos eleitoreiros ou ao que não corresponda aos interesses do Povo. Durante a programação, os calouros também participaram de um tour pelo Centro de Educação da UFPE.

Ao longo do dia, os próprios calouros relataram terem se sentido bem recepcionados, demonstrando a importância de uma acolhida que vá além das formalidades institucionais e que coloque os estudantes como os mais interessados na construção de uma universidade pública, científica, gratuita e a serviço do Povo. É mostrar aos que chegam que eles não estão sozinhos e que a universidade não deve ser encarada como um lugar para assistir aulas e sim como um espaço que precisa ser disputado, transformado e cuja ciência seja desenvolvida com e para as massas mais profundas do nosso Povo.
