[PR] Executiva Paranaense realiza debate sobre medicalização da infância e adoecimento docente na UFPR

A Executiva Paranaense dos Estudantes de Pedagogia realizou, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o evento intitulado Medicalização da Infância e Adoecimento Docente, reunindo estudantes da Pedagogia e das demais licenciaturas para debater os impactos da medicalização no ambiente escolar e as condições de trabalho e formação enfrentadas pelas futuras professoras.

O debate contou com a participação da psicóloga e professora-pesquisadora da UFPR, Bruna Battistelli, e do psicólogo formado pela UFPR, Rafael Bossoni. As falas abordaram os processos de patologização da infância, os atravessamentos sociais presentes nos diagnósticos e os impactos dessas práticas sobre estudantes, crianças e profissionais da educação.

Como parte da construção do evento, foi realizado um formulário, disponibilizado para as estudantes do curso de Pedagogia, buscando atingir especialmente aquelas que atuam como profissionais de apoio em estágios não obrigatórios. O levantamento buscou identificar situações enfrentadas no cotidiano escolar, marcado pela precarização do trabalho, exposição a diferentes formas de violência e pela ausência de suporte institucional diante de situações graves envolvendo tanto as estudantes quanto as crianças acompanhadas por elas.

Outro ponto discutido foi a burocratização das escolas e como, muitas vezes, esses processos acabam contribuindo para a omissão de problemas estruturais, aumentando a vulnerabilidade de crianças e docentes. O formulário também buscou compreender as expectativas de comportamento impostas às crianças e como questões de gênero, raça e classe atravessam a forma como determinados comportamentos são interpretados e enquadrados em diagnósticos relacionados à infância.

O evento foi marcado por uma participação ativa das estudantes, que compartilharam experiências e relatos vividos nas escolas, evidenciando uma demanda urgente por espaços de debate sobre saúde mental, medicalização e condições de trabalho na formação docente. As discussões apontaram para a necessidade de aprofundar esse debate dentro do curso e fortalecer a construção coletiva de práticas educacionais comprometidas com uma perspectiva crítica e não medicalizante.

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