No dia 04/05, segunda-feira, estudantes combativos ocuparam e reabriram o Centro de Convivência da UFSC, o “Conviva”, como é carinhosamente conhecido pelos estudantes. O prédio, localizado em ponto central da Universidade, tem importância histórica para o Movimento Estudantil de Florianópolis, e está fechado há mais de dez anos pela precarização das estruturas do campus e pelo descaso das diferentes gestões universitárias com o espaço.
Os estudantes reivindicam um espaço para estudos e descanso que contemple todos os alunos do campus, a reforma dos banheiros e do auditório Ovelha, além da gestão estudantil sobre o Conviva. Em pleno regime militar fascista, o Conviva serviu, no período, de centro para a organização de diversas mobilizações e protestos contra o regime, como a Novembrada, e a instalação de uma rádio clandestina, que contribuiu para a organização do movimento estudantil combativo da época.

A ocupação se dá na sequência das ocupações de 2016, 2019 e 2022, além das ocupações relâmpago em 2023 e 2024, que serviram para dar novo fôlego ao movimento estudantil da UFSC e abrir espaço para um local de diálogo democrático. Realizadas pela então Rede Independente de Articulação (RIA, atual Movimento Maruí), agora os estudantes retomam o prédio como ponto central para a mobilização na UFSC, enfrentando a investida da direita, após a vitória da chapa abertamente reacionária da reitoria, e o permanente imobilismo oportunista.
Assim que entraram, os estudantes viram o prédio transformado em um grande depósito e lixão, onde eram depositados entulhos, e patrimônio ainda não utilizado, como diversas cadeiras e mesas, também foram encontrados itens da antiga gestão do DCE deixados no espaço. Foi então realizada uma intensa limpeza do espaço.

Após isso, no horário de abertura do Restaurante Universitário, colocaram diversas faixas com os dizeres: “EDUCAÇÃO SEM VERBA É FOGO!”, “ABAIXO A PRIVATIZAÇÃO! DEFENDER A AUTONOMIA, DEMOCRACIA E GRATUIDADE DAS UNIVERSIDADES! -ExNEPe” e “LULA LACAIO DO LATIFÚNDIO, INIMIGO DOS POVOS INDÍGENAS!”, na fachada do prédio, e abriram o acesso para toda a comunidade acadêmica, iniciando uma panfletagem para retomar seu histórico e os motivos de sua reabertura.
Além da reivindicação do espaço para a comunidade acadêmica, o objetivo é unificar e propagandear as diferentes lutas que ocorrem na UFSC atualmente, como as diversas Ocupações Indígenas, tanto da Licenciatura Intercultural (https://exnepe.com/2025/12/10/sc-intervencao-dos-estudantes-indigenas-cobra-reitoria-da-ufsc-pelo-cumprimento-das-exigencias-de-greve/), quanto da Casa Amarela (https://exnepe.com/2025/10/13/sc-viva-a-ocupacao-indigena-da-ufsc/), que permanecem reivindicando a construção de uma moradia indígena salubre e definitiva, denunciando as condições de permanência estudantil dos alunos indígenas, constantemente invisibilizados pela UFSC.
O movimento também busca apoiar a greve dos técnicos administrativos (TAEs), que ocorre desde 7 de abril pelo cumprimento integral do acordo de greve de 2024, além de denunciar a situação do Hospital Universitário, cuja autonomia se vê ameaçada pela ofensiva privatista da EBSERH (empresa de financiamento público e gerência privada, que administra grande parte dos hospitais universitários federais no país).
No segundo dia de abertura do prédio, foi realizada uma assembleia que aprovou os regimentos da Ocupação, determinando as regras para entrada e permanência no mesmo, e separou as tarefas em diferentes comissões, sendo estas limpeza, segurança, calendário, articulação, alimentação e logística, para organizar todo o trabalho a ser realizado para manter a ocupação.
Dessa forma, ao retomar esse espaço central aos estudantes da UFSC, demonstra-se na prática o co-governo estudantil, no caminho da construção de uma universidade verdadeiramente pública, gratuita, científica e que sirva ao povo!
VIVA A RETOMADA DO CONVIVA!
PARA BARRAR A PRIVATIZAÇÃO!
GREVE GERAL, GREVE GERAL DE OCUPAÇÃO!
IR AO COMBATE SEM TEMER,
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!