Com a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, no dia 19 de dezembro de 2025, o reacionário Congresso Nacional promoveu um corte de R$ 488 milhões no orçamento das Universidades Federais, representando uma redução de 7,05% nos recursos discricionários das 69 universidades federais do país. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), esses cortes incidem diretamente sobre áreas essenciais, como a manutenção básica — incluindo despesas com água e energia elétrica —, os contratos terceirizados, os insumos destinados à pesquisa científica e a aquisição de equipamentos. Entre os principais alvos desse corte está a assistência estudantil, área estratégica para garantir a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, colocando seriamente em risco sua continuidade nas universidades.
Ao mesmo tempo, o Congresso aprovou o montante de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, utilizadas como instrumento de barganha política e promoção eleitoral. Isso evidencia que o problema nunca foi a falta de recursos, mas sim a ausência de um projeto político comprometido com os interesses do povo.
Cabe a nós compreender que a preocupação do Congresso Nacional e do governo de turno não está na defesa da educação pública e gratuita, tampouco na promoção da produção científica capaz de contribuir para o desenvolvimento do nosso povo e do nosso país. Durante o governo de coalizão com a direita, sob a gestão Lula/Alckmin, houve a continuidade da política de destruição das universidades públicas, expressa nos sucessivos cortes de verbas ao longo destes últimos quatro anos. A contradição é escancarada quando, às vésperas de período eleitoral, destinam volumosos recursos às emendas parlamentares, deixando evidente o compromisso em beneficiar politiqueiros para que cumpram o papel de fiéis escudeiros do sistema político e econômico dominado por latifundiários e burgueses com suas “mãos molhadas” de recursos público.
Esse corte evidencia de maneira clara uma escolha consciente do governo brasileiro: atacar a permanência dos estudantes universitários e, consequentemente, a produção de conhecimento científico em nível nacional, para sustentar um modelo eleitoreiro já carcomido. Tal ação reacionária inviabiliza qualquer planejamento de longo prazo e empurra universidades e institutos federais para a dependência de repasses pontuais, tendo como consequência — e, em última instância, como objetivo — o seu sucateamento e possível fechamento, abrindo espaço para que a iniciativa privada “coma solta”.
É nesse contexto que se intensificam as pressões sobre as reitorias e direções das universidades que, diante da insuficiência dos repasses da União, passam a depender da solicitação de recursos a determinados parlamentares. Estes, por sua vez, utilizam tal dependência como instrumento de controle político e fins eleitoreiros, aprofundando a precarização do financiamento público e comprometendo a autonomia universitária.
Diante desse ataque às universidades públicas e ao direito do nosso povo de estudar e aprender nessas instituições, é preciso mobilizar exigindo não apenas a recomposição imediata do orçamento, mas também a ampliação dos recursos destinados às Universidades Federais, garantindo seu funcionamento pleno e a permanência dos estudantes mais pobres. É necessário pôr fim à lógica de manter as universidades reféns de recursos oriundos de emendas parlamentares, pois esse caminho “tapa-buraco” apenas aprofunda a precarização sem enfrentar o problema em sua raiz.
Os cortes orçamentários fazem parte de uma ofensiva privatista e reacionária contra a educação pública e a produção científica nacional. Ferem a já vilipendiada autonomia, democracia e gratuidade, tripé de sustentação das universidades públicas. É dever dos verdadeiros interessados em produzir ciência a serviço do nosso povo defender as universidades públicas com unhas e dentes, realizando jornadas de lutas combativas, com greves, ocupações, debates em salas de aula, conselhos universitários, reuniões de departamento, agitações e manifestações. Somente agindo assim poderemos reverter esse cenário de destruição das universidades federais e da ciência nacional.
É NOSSA A UNIVERSIDADE PARA SERVIR AO POVO CIÊNCIA DE VERDADE!
ABAIXO OS CORTES DE VERBAS!
EM DEFESA DA AUTONOMIA, DEMOCRACIA E GRATUIDADE
DAS UNIVERSIDADES!