Confira como foi o 1º dia do 43° ENEPe

Na manhã de segunda-feira (20), a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) e a Comissão Organizadora do 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe) receberam as delegações nacionais e internacionais que participam do evento, sediado na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Após o café da manhã, as delegações realizaram o credenciamento para o evento que, desde já, representa gigantesca vitória para o movimento estudantil independente e combativo, sendo o maior evento desde o rompimento com a UNE governista, com a participação de mais de 900 pessoas.

O evento é fruto do esforços dedicados pelos estudantes de pedagogia, das licenciaturas, dos que defendem a educação pública e o ensino científico a serviço do povo brasileiro, dos operários e camponeses, dos anti-imperialistas brasileiros e da luta anti-imperialista internacional, como demonstra a participação das delegações de diversos países, que se somaram para lutar junto dos estudantes brasileiros, e principalmente, para combater juntos o mesmo inimigo, o imperialismo ianque e suas caducas e sanguinárias formas de dominação.

A programação de segunda-feira (20) inicia ainda na recepção, onde os participantes já puderam prestigiar a ornamentação do evento, composta por faixas, cartazes e murais ressaltando a luta secular do Povo brasileiro pela sua libertação, homenagens aos heróis do povo que verteram seu sangue na luta combativa contra o latifúndio e materiais sobre a luta anti-imperialista internacional.

Se apoiando nas melhores experiências que o movimento estudantil independente consolidou anos de luta combativa, toda a preparação do evento foi feita pelos próprios estudantes, através de comissões que garantiram a estrutura, a mobilização e o conteúdo do evento. Se tratando de um evento para todos os estudantes do povo, professores e intelectuais honestos, camponeses e trabalhadores de São Luiz – MA e diversas outras cidades do Brasil, ao chegar, as delegações também puderam se integrar às comissões e ajudar a construir o evento.

Foi realizado o credenciamento, a montagem das banquinhas, o alimento servido pela manhã, a limpeza, e inclusive creche, com o objetivo de descarregar o peso que recai sobre as mães e mulheres do povo, para que pudessem participar plenamente da formação politica do evento. Tudo foi feito contando com a força dos próprios estudantes e apoiadores.

Após o almoço, foi realizada a mesa de abertura do evento. Confira a lista dos palestrantes:

  • Ana Caroline, representante da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe)
  • Rebeca, representante do Centro Acadêmico de Pedagogia Paulo Freire da Universidade Federal do Maranhão (CAPED – UEMA)
  • Lindalva Martins, Diretora do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal Maranhense (UFMA)
  • Danilo Lopes, representante da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAES – UFMA)
  • Francisco Thiago Silva, representante Rede Nacional de Pesquisa em Pedagogia (RePPed)
  • Assis, representante da União das Comunidades em Luta (UCL)
  • Antonio Wilson Guajajara, liderança indígena da aldeia Maçaranduba
  • Marise Marçalina, representante da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPe)
  • Representante do Centro Acadêmico de Pedagogia Paulo Freire da Universidade Estadual do Maranhão (CAPED – UEMA)
  • Rhewaa, Liderança Indígena Krepym Kateje
  • Érbio, Parfor da Associação dos Professores da Universidade Federal do Maranhão (APRUMA)
  • Sheila Bordado, representante do Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de São Luís (SINDEDUCAÇÃO)
  • Oscar Canela
  • Representante da Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta (ABRAPO)

Durante plenária, ecoaram os gritos altivos da juventude. As vozes em uníssono levantaram alto as bandeiras de luta dos estudantes, dos camponeses, dos povos indígenas e quilombolas. A luta anti-imperialista preencheu o espirito de todos presentes no auditório, estreitando os vínculos de solidariedade do povo brasileiro com a resistência nacional dos povos palestino, iraniano, iemenita, venezuelano e as massas quem lutam no combate de todos os povos oprimidos do mundo pela sua libertação e na luta revolucionaria.

Em sua fala, a presidente da ExNEPe ressaltou que “tendo que lutar contra esses ataques [na educação] e por maior permanência na universidade, essa é uma questão que exige de nós um maior avanço na nossa organização, uma maior combatividade.”

“A gente tem que perceber todo esse cenário de precarização das universidades públicas e das escolas e enxergar com muito ódio, porque isso são aparências de um fenômeno muito mais profundo, são resultados das politicas do Imperialismo no nosso país, das politicas do imperialismo ianque”.

Explicando sobre quem deve tomar parte nessa luta, complementa: “[…] a gente tem que fazer resistência porque não é o filho do latifundiário que vai se afetado, não é o filho do empresário que vai ser afetado, somos nós, filhos do povo, companheiros! São os nossos familiares que não vão ter acesso à universidade pública no nosso país.”

“Olhem a dimensão do encontro que a gente está realizando! São muitos problemas da educação que a gente tem que debater, tem que discutir e tem que aprofundar o conhecimento de onde vem essas raízes, para que a gente também transforme as nossas universidades em trincheiras de combate!”.

“[…] a gente discutindo esse tema do encontro nacional está relacionado também com a necessidade de aprofundar com o que ocorre no mundo hoje. Os ataques do imperialismo dos Estados Unidos não ocorrem apenas na nossa educação. A gente vê a verdadeira face do Grande Satã, o imperialismo ianque, o que ele tem feito no mundo inteiro, promovendo guerras injustas, massacrando povos do mundo inteiro, fazendo guerra no Irã, na Palestina, matando gente inocente e promovendo o genocídio, essa é a verdadeira face do Imperialismo.”

Por fim, conclui que, diante de tudo isso, deve-se entender que a luta no Brasil, a luta do curso de pedagogia, dos professores da rede básica e dos professores das universidades também está vinculada com a luta dos povos do mundo inteiro. Por este motivo, explica que também foi feito um convite especial à delegação iraniana para participar e compor o evento, em momento que preencheu o auditório de aplausos e comemorações diante da presença dos companheiros do Irã.

Após as falas da mesa, as delegações presentes no evento tiveram um caloroso momento de apresentação, onde compartilharam as vitórias conquistadas para estar presente no 43º ENEPe, vibraram a combatividade e a altivez da juventude, que se reúne mais uma vez para partilhar suas experiências de luta, tornando desde já este grandioso evento em um marco histórico para luta dos estudantes do povo pela educação.

Durante a tarde, os corredores, alojamentos e espaços de convivência da UFMA ocupados pelos estudantes viraram locais de troca de experiências, fraternidade e união entre os participantes. Continuando os trabalhos, também foram realizadas as preparações para a atividade cultural, que ocorrera durante a noite.

A primeira noite na capital Maranhense foi preenchida de festividades juninas, com direito a barraquinhas de brincadeiras e de comidas típicas, muita música e animação. A apresentação inicial foi do grupo Boizinho Incantado, e logo em seguida se apresentou o Cacuriá do Candinho.

Os dois grupos locais celebram a cultura tradicionalmente maranhense, preservando a tradição do bumba-meu-boi e do Cacuriá, danças que remetem às grandes raízes do povo brasileiro nos povos indígenas, no povo preto e nos migrantes europeus pobres. Em seguida o forró e a quadrilha trouxeram os estudantes, trabalhadores, camponeses, e artistas para não apenas assistir, mas viver ativamente, e para muitos pela primeira vez, a cultura popular maranhense e nordestina.

A conclusão vitoriosa do primeiro dia de atividades do 43º ENEPe já é um duro golpe contra o imperialismo ianque, contra o sucateamento do ensino publico no Brasil e a aplicação dos plano do Banco Mundial e submissão do MEC aos interesses do Fundo Monetário Internacional. É uma vitória a ser comemorada não somente pelos estudantes brasileiros como também por todos os povos do mundo que lutam pela destruição do Imperialismo!

Viva o 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia!
Viva a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia!

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