Confira como foi 2º dia do 43º ENEPe

Logo cedo, ao amanhecer da terça-feira (21), os estudantes começaram à preparar o café da manhã e organizar a primeira plenária do dia. Após a refeição, por volta das 8:30, foi aberta a primeira mesa do dia, que discutiu o tema “A agressão imperialista ianque na América Latina e a luta pela terra”.

Compondo a mesa, participaram representantes da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), do Jornal A Nova Democracia (AND), da Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI) – Sessão Brasil, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do Comitê de Solidariedade da Luta pela Terra (COMSOLUTE). 

O representante da LAI abre a discussão destacando o contexto político e histórico em que se situa o evento: “Estamos aqui participando do 43º ENEPe, um dos encontros mais importantes da história do movimento estudantil, em um dos momentos mais cruciais da luta anti-imperialista. Esse é um momento de grande repercussão para o movimento estudantil, para a juventude e para a luta popular no nosso país”.

Em menção à recente fundação da LAI, em congresso realizado na Colômbia, em abril deste ano, o representante destaca que o ENEPe se enquadra como um importante avanço na luta dos estudantes, e que nos grandes momentos de transformação histórica, estes cumprem um papel muito importante:

“A juventude é a vanguarda e a tropa de choque da revolução no mundo. É a reserva e a reprodução de revolucionários, criando outros em suas áreas particulares, como fazem os pedagogos na sua vida diária, na sua juventude.”

Em todo o auditório, ressoavam as palavras de ordem da luta anti-imperialista e o apoio dos estudantes às resistências nacionais, que lutam contra o jugo do imperialismo, especialmente o ianque. 

A agitação sendo levantada à plenos pulmões pelas centenas de participantes reforçou o estado de espírito altivo e combativo que as vitórias conquistadas pelos povos oprimidos do mundo têm imprimido na luta popular, especialmente para os estudantes que gritavam juntos: Somos estudantes, não somos pacifistas! E viva a luta anti-imperialista! Ir ao combate sem temer! Ousar lutar, ousar vencer! Pedagogia é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!

Na ornamentação, destacavam-se as faixas e bandeiras dos diversos movimentos e coletivos estudantis, de camponeses, de mulheres, democráticos e anti-imperialistas, assim como estivera representada a luta da juventude revolucionária no mundo, demonstrando uma união que se fortalece e avança contundentemente na luta pela educação pública e a serviço do povo no Brasil.

O representante do jornal A Nova Democracia aprofunda o debate anti-imperialista no cenário político nacional, ressaltando: “Absolutamente todos os problemas que o nosso país tem são resultado da dominação do imperialismo no nosso país. […] Todos têm relação com o fato de que somos uma grande fazenda do imperialismo, principalmente do imperialismo ianque, afinal, o imperialismo é esse sistema mundial de saqueio, de roubo, de pilhagem do povo de nações oprimidas por um punhado de nações opressoras. […] Pensam que nosso país é uma grande fazenda e que somos escravos disso”

Trazendo a importância do debate para o contexto estudantil, o advogado popular Jorge Moreno, representante do COMSOLUTE, destaca que o trabalho realizado para garantir a participação dos diversos estudantes de diversos lugares do país contou com ampla mobilização das classes populares. 

“Os estudantes fizeram a sua tarefa: promover, colaborar, auxiliar e participar do 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia. […] Hoje nós estamos de cabeça erguida pra falar pra vocês: a luta vale a pena! E nós vamos vencer!

Finalizando a mesa, a representante da LCP pontuou que o processo de formação histórico da humanidade não foi sempre o da sociedade de classes, que ao atacar a educação do povo e tentar negar essa verdade histórica, a luta de classes, o imperialismo quer se pintar como invencível e como algo natural, mas que da mesma forma que foram derrotadas todas as classes dominantes ao longo da história, o imperialismo está sendo destruido parte por parte.

Através da luta combativa, ressalta, os povos oprimidos do mundo têm demonstrado como derrotar esse gigante de pés de barro, que é o imperialismo, principalmente o ianque. A luta do povo palestino, do povo iraniano é a mesma dos camponeses pobres do Brasil, que ao destruir do latifundio, está lutando e avançando com a Revolução Agrária, como parte da Revolução de Nova Democracia, e da luta anti-imperialista. 

Em conclusão, reforça que o único caminho para o povo tomar de volta suas terras é através da luta, e que cada passo da luta pela terra é um avanço também para a luta anti-imperialista, por isso, os estudantes, professores, democratas e progressistas que lutam contra o mesmo inimigo, devem se unificar através da luta combativa e dedicar seu trabalho e suas energias para garantir o desenvolvimento da luta e fortalecer a Revolução Agrária. 

Após um breve almoço, os participantes foram convidados a uma mesa pela primeira parte da tarde sobre a opressão da mulher na sociedade de classes. Também é destacado pelas palestrantes o caráter democrático do evento, que reúne não apenas estudantes, intelectuais, jornalistas populares, professores e advogados, mas também uma delegação de mais de 100 camponeses, indígenas e quilombolas.

Nesse contexto, ressaltam que todos esses diferentes setores do povo possuem um inimigo em comum: o imperialismo, que se expressa no Brasil através do capitalismo burocrático e da semifeudalidade. Referenciando a obra A origem da família, da propriedade e do Estado, de Friedrich Engels, afirmam que a opressão da mulher surge da mesma raiz que oprime todos os povos: a sociedade de classes.

Em sua intervenção, uma das participantes da mesa destaca: “O capitalismo burocrático se sustenta nas relações de semifeudalidade que atravessam a sociedade.”. Em seguida, explica que, para que o homem pobre continue sendo diariamente explorado pelo seu patrão, é preciso que a mulher prepare sua comida, lave suas roupas e cuide das crianças, logo, a exploração da mulher também é uma necessidade para a dominação imperialista. 

Nesse sentido, a opressão feminina também remove as mulheres de espaços de luta e combatividade, portanto, é preciso que as mulheres se organizem não somente pela libertação individual da mulher, mas sim enquanto classe, lado a lado de seus companheiros de luta para derrotar essa montanha de opressão, algo que só é possível com a destruição do imperialismo, unindo homens e mulheres do povo contra a exploração, de onde se origina esse problema secular. 

Uma estudante do curso de pedagogia ressalta que, ao entrar na universidade, as mulheres são constantemente afastadas do meio político e colocadas em posição de rivalidade entre si fragmentando a unidade desse grupo. 

Analisando o porquê desta ser uma experiência comum para as estudantes do povo, relaciona que o próprio imperialismo tenta contaminar o movimento estudantil com sua ideologia do individualismo, e para isso conta com diversos movimentos próprios e oportunistas de toda sorte, que propagam dentro das universidades essa desunião, e defendem a mistificação burguesa de que a luta contra um patriarcado se limita a uma luta das mulheres contra seus próprios irmãos de classe, e não contra o mesmo inimigo em comum.

Fechando a mesa, é incentivado a todas as estudantes, camponesas e trabalhadoras presentes que tomem parte ativa na luta pela libertação da mulher, entendendo como esta é uma vitória que se alcança com o fim de toda exploração, com a mobilização do povo para continuar avançando em sua luta e conquistar a destruição da sociedade de classes.

Em seguida, iniciou-se a segunda mesa da tarde, com o tema “O papel da juventude na luta anti-imperialista”. A ornamentação da plenária agora contava com banners e faixas enaltecendo os povos e seus mártires que tombaram na luta anti-imperialista.

Compondo a mesa, participaram dois representantes da delegação iraniana no evento, um representante do Coletivo Mangue Vermelho (MV) e um representante da ExNEPe na mediação. 

A estudante iraniana inicia sua fala afirmando que a visão que muitos têm do Irã enquanto país atrasado, patriarcal e intolerante é fruto principalmente da propaganda ianque, destacando o atual protagonismo das mulheres em cargos do governo e no mercado de trabalho de forma geral. Em complemento ao destaque para o papel da educação no desenvolvimento científico do Irã, ressalta como resultado a solidificação de uma economia nacional autossuficiente após a revolução iraniana de 1979. 

Em uma série de slides, a estudante também apresentou aos participantes diversas áreas da tecnologia em que o Irã vem se aprimorando e realizando importantes avanços, como a medicina, a energia nuclear, a nanotecnologia, a farmacologia e etc.

À esquerda, o aiatolá Ali Khamenei, dirigente da nação iraniana, martirizado durante a resistência contra invasão ianque ao país persa. Ao centro, Yahya Sinwar, dirigente da Resistência Nacional Palestina, que liderou e comandou o grande Diluvio de Al Aqsa, em 7 de outubro de 2023. Martirizado enquanto combatia as tropas de ocupação sionista, em 2024. À direita, Hassan Nasseralá, dirigente da resistência nacional libanesa, que liderou decisivamente seu povo na resistência contra os ataques de israel, morreu enquanto líder máximo do Hezbollah, à frente do combate contra entidade nazi-sionista.

Representando o grande povo e a poderosa nação do Irã, o Sheike Hossein Khaliloo destacou em sua fala como a ciência em sua nação também se relaciona com os princípios éticos e religiosos do povo, servindo aos seus interesses e garantindo sua auto suficiência perante os ataques e embargos econômicos do imperialismo ianque.

Em seguida, o representante do MV destacou como o imperialismo ataca não apenas com bombas e bloqueios econômicos, mas também penetra nas fileiras da luta anti-imperialista por meio dos falsos apoiadores da causa, como foi o caso da recente expulsão do coletivo estudantil do Comitê de Solidariedade à Palestina de Pernambuco, em meio à acusações policialescas, antidemocráticas e uma série de condenações à justa revolta do povo, que se dá de maneira combativa e violenta.

O representante do Coletivo adverte que a expulsão apenas ressalta o falso caráter democrático da organização, que deveria representar a unidade entre aqueles que apoiam a resistência do povo palestino, mas ao adotar uma postura sectaria quanto ao carater ideologico de seus participantes, age para dividir os anti-imperialistas e arrasta-los para o caminho do imobilismo

A denúncia sobre o caso ocorre já por meio de uma carta aberta, que está sendo repercutida por diversas organizações e comitês de solidariedade à palestina pelo Brasil. Em meio ao entusiasmo da plateia, o palestrante reforça que a juventude é a voz daqueles que têm dificuldade para gritar, que juventude é vanguarda e que auxilia a unir e organizar todos os trabalhadores, todos aqueles que combatem firmemente o imperialismo e o sionismo, assim como o povo palestino.

Com a conclusão das plenárias, a programação da segunda noite de evento condensou em muita animação a firme decisão dos estudantes pela luta. A atividade cultural trazida pelo evento foi o festival de hip-hop “Arte de Combate”, promovido pelo Coletivo Arte Popular (CAP), que organiza artistas do hip-hop do Maranhão (MA)

Contando com a participação de grupos culturais locais, como o Slam Odara e a tradicional Batalha do Hita, o festival também foi composto por artistas de outras regiões do Brasil, como o grupo  de rap combativo Ameaça Vermelha (SP), o MC Sagaz do Povo (SP), a DiinaMC (SP), junto a realização do Sarau Alvorada (MA).

A primeira rodada de apresentações foi um sarau, que abriu espaço para que os participantes apresentassem suas escolhas de poemas e produções autorais, abordando temas como: Luta pela terra; Lutas de Libertação Nacional; Opressão sexual; Resistência do Povo Preto e Problemas da Juventude.

A programação também contou com uma quentíssima batalha de rima, em edição especial da Batalha do Hita, que teve como vencedor RobSomMC (PB). Alguns dos temas da batalha foram: resistência palestina, luta pela terra, fim da polícia militar, entre outros.

A noite seguiu com uma apresentação musical dos grupos e artistas: Ameaça vermelha, DiinaMc e o MC Sagaz do Povo, que em suas músicas destacam as lutas da juventude combatente, as lutas de resistência nacional e os enfrentamentos do povo contra os crimes cometidos pela polícia e os reacionários no campo e cidade, lutando pela sua libertação.

Com espírito elevado, a 2º noite de evento foi encerrada com a reafirmação do caráter combativo da cultura popular. A atividade também reforçou que é em meio a luta que o povo produz suas expressões artísticas, por isso, estas carregam as provas das suas experiências, seus sentimentos e sua certeza da vitória, movimenta suas forças para mais um dia e para mais resistência, expressões que engrandecem os aprendizados do 43º ENEPe.

Deixe uma resposta