[BA] Agitação contra sucateamento e despejo da comunidade de São Lázaro expõe projeto antipovo de universidade em meio a debate de chapas para reitoria na UFBA

Na última segunda, 18 de maio, estudantes da UFBA, principalmente dos cursos de São Lázaro, realizaram uma agitação em denúncia às condições precárias impostas aos estudantes do campus e de toda a universidade. A agitação aconteceu durante o debate entre as chapas de candidatura à reitoria ocorrido no Auditório Mastaba da Faculdade de Arquitetura, num período eleitoral onde os oportunistas e reacionários em geral estão se arvorando pelos seus carguinhos rendosos na burocracia universitária.

Levantando faixas e cartazes com frases como “RUs com fichas suficientes e abertos aos domingos já! A UFBA é dos estudantes! Democracia universitária agora!” e “Não ao despejo de São Lázaro”, os estudantes denunciaram o péssimo estado das condições estruturais e de permanência em São Lázaro, como o sucateamento dos prédios e a quantidade baixa de fichas para o almoço no RU do campus, e outras questões que atingem toda a universidade, como a crise no seio da burocracia universitária/na transição do SIAC para o SIGAA, causada pelo corte cada vez maior de verbas prosseguido pelo atual governo oportunista de Luiz Inácio, e a colaboração da UFBA com o velho Estado brasileiro há cerca de um ano no despejo da comunidade de São Lázaro, comunidade tradicional que fica nas proximidades do campus homônimo.

Hoje, os estudantes de São Lázaro convivem com profundos problemas, que são uma concentração de toda a situação de sucateamento jogada à universidade, e que também tem expressões graves em outros campi como a Escola de Belas Artes, o IHAC e o PAF V. O RU de São Lázaro, que recebe centenas de estudantes, só possui 600 fichas, acabando constantemente às 12:30-13:00 (com o horário de funcionamento formalmente indo até 14h) e deixando muitos estudantes com fome. A UFBA, devido aos cortes e à crise institucional da burocracia universitária, implantou o SIGAA, novo sistema acadêmico, de forma completamente desestruturada, prejudicando milhares de estudantes, principalmente nos cursos de licenciaturas. Estes problemas principais se somam à já costumeira precarização dos prédios e pavilhões e à tentativa de despejo da comunidade de São Lázaro, residente no local há pelo menos um século.

No início do debate, em um clima de debacle entre as chapas em geral, os estudantes se organizaram para tomar o espaço, chegando carregando as faixas e os cartazes, que logo chamaram a atenção dos professores, técnicos e estudantes, tanto os presentes quanto os que estavam assistindo a transmissão ao vivo.

Ao final do debate, que foi marcado pelas trocas de acusações e demagogia entre as chapas,  os estudantes elevaram a agitação com palavras de ordem com os cartazes e megafone, dando o recado às chapas para a reitoria: “Vocês não vão ter paz, estudante com fome é pior que Satanás!”, “Não vai ter arrego, resolve os problemas ou eu tiro o seu sossego!”, “São Lázaro fica, estudante e morador avança e unifica!”, “Viva a greve de ocupação da Escola de Belas Artes!” e “Viva o movimento estudantil independente e combativo!”.

A gestão oportunista “Viração”, composta pelas forças da UNE/UBES (PT-PCdoB-PSOL), tentou ofuscar a agitação independente dos estudantes com seus gritos a favor de uma ou outra chapa no debate, chegando ao ponto de fazê-lo durante o momento em que os estudantes denunciavam a repressão do velho Estado e da UFBA à comunidade de São Lázaro, demonstrando que de fato só servem aos seus projetos eleitoreiros. A essa provocação oportunista, os estudantes de São Lázaro bradaram “DCE pelego, só aparece em ano eleitoreiro!”.

Após a agitação, diversos professores, técnicos e estudantes se solidarizaram com a situação de São Lázaro, dizendo que “o caminho é este, o da independência” e saudando a intrepidez do caminho combativo e independente no movimento estudantil.

Durante a agitação, a ExNEPe também realizou uma banquinha de arrecadação para sustentar a ida da delegação da UFBA Salvador para o 43º ENEPe em São Luís (Maranhão), com diversos livros e exemplares do Jornal A Nova Democracia expostos. Muitos estudantes, professores, técnicos e demais trabalhadores que foram ao debate ou somente estavam passando pelo local se interessaram pelo conteúdo político da banquinha, que estava coberta com a bandeira da resistência nacional palestina, e da ExNEPe, apoiando a ida da delegação com a compra de diversos itens. Em pouco mais de duas horas já haviam sido vendidos dezenas de itens, totalizando mais de R$200 arrecadados pela delegação.

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