[PR] Viva o vitorioso 31° Encontro Paranaense de Estudantes de Pedagogia!

No dia 06 de dezembro, o 31° Encontro Paranaense de Estudantes de Pedagogia (EPEPe) iniciou-se com grande força carregando o espírito combativo da juventude paranaense e reafirmando o compromisso dos futuros pedagogos com a defesa de uma educação pública, gratuita, científica, democrática e a serviço do povo. Logo nas primeiras horas da manhã, a Universidade Estadual de Maringá – Campus Regional de Cianorte já pulsava ao ritmo do encontro: faixas com palavras de ordem atravessavam os Blocos, pendiam das grades e das paredes.

Na plenária, uma grande faixa anunciava: “31° EPEPe – Em defesa do currículo científico e da formação do pedagogo!”, ladeada por bandeiras da ExNEPe, da ExPEPe e de diversas outras entidades e movimentos políticos classistas, compondo um cenário de unidade, independência e combatividade.

Mesa de Abertura

A mesa de abertura, composta pela Coordenação do Curso de Pedagogia da UEM, pela Chefia do Departamento, pelas presidências da ExNEPe e da ExPEPe, pela representação do FORPPED e pelo Centro Acadêmico de Pedagogia, abriu oficialmente o encontro. As saudações destacaram a importância estratégica de realizar encontros estaduais em campi regionais descentralizando os debates e fortalecendo a organização dos estudantes.

As falas foram incisivas ao denunciar os ataques à educação pública, o avanço da privatização, a imposição de modelos tecnocráticos e a precarização das condições de trabalho de pedagogos e professores. Reafirmou-se a necessidade de uma formação científica, crítica e comprometida com a transformação da realidade. A plateia respondeu prontamente com palavras de ordem que ecoaram pelo auditório: “A ExNEPE é pra lutar! O imobilismo não vai nos segurar!”, “A nossa luta unificou, é estudante junto com o professor!”.

Mesa de Situação Política

A mesa seguinte trouxe ao centro do debate a situação política nacional e internacional. Composta pelo companheiro Ilson, um dos dirigentes das retomadas Avá-Guarani no oeste do Paraná, por uma representante do jornal A Nova Democracia e pelo Sayid Marcos, vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), a discussão conectou as lutas da resistência popular palestina aos conflitos pela terra no Brasil.

O debate iniciou-se evocando o levante popular armado de 7 de outubro e a heroica resistência do povo palestino ao genocídio em curso. Em seguida, traçaram-se paralelos entre essa resistência e a luta camponesa brasileira, marcada por retomadas de território ancestrais, violência do latifúndio e endurecimento das disputas no campo.

Ilson trouxe relatos contundentes sobre o avanço do latifúndio, os ataques às retomadas Avá-Guarani e a necessidade de aliança entre indígenas, camponeses, trabalhadores e juventude. A representante de A Nova Democracia destacou sobre a crescente reacionarização do velho Estado brasileiro com avanço de leis que buscam criminalizar a luta popular no campo e na cidade; a repressão e assassinato sistemático das massas trabalhadoras, como ocorreram recentemente no Rio de Janeiro e em Rondônia com operações polícias sangrentas; situações que expressam a decadência do sistema de capitalismo burocrático do país. Por fim, ressaltou o papel da propaganda combativa e da denúncia dos monopólios de imprensa, assim como a necessidade de rebelar-se. Sayid Marcos ampliou a reflexão, explicando a importância histórica da solidariedade internacionalista. A juventude respondeu com entusiasmo crescente: “É terra, é terra, pra quem nela trabalha, e viva agora e já, a revolução agrária!” e “Palestina Resiste! Palestina triunfará!”

Mesa em Defesa da Formação Científica do Pedagogo

Com o professor Saulo Carvalho e o diretor de formação, Lucas Santi, a mesa aprofundou a análise sobre a formação do pedagogo a partir do materialismo histórico-dialético. Foi debatido como o conhecimento científico, articulado à prática social, é capaz de transformar a realidade, em oposição às pedagogias hegemônicas tecnicistas, fragmentadas e pós-modernas.

A concepção de pedagogo unitário, que reforça a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e gestão, foi reafirmada como a posição mais avançada para forjar os futuros pedagogos e professores. Do mesmo modo, destacou-se a necessidade de realizar grupos de estudo sobre o tema, fundamentais para o aprofundamento dessa concepção.

Momento Cultural

O primeiro dia encerrou-se com um vibrante momento cultural no estacionamento da universidade, igualmente ornamentado por faixas e bandeiras. Comerciantes locais ofereceram churros e caldo de cana; estudantes e moradores participaram de oficinas de arco e flecha e zarabatana, aproximando culturas populares, juventude e comunidade.

Ao cair da noite, uma apresentação de teatro político sobre a ocupação da Reitoria da UFFS – Chapecó, seguida de uma cantoria de músicas populares, reuniu todas e todos em um clima de união, alegria e combatividade. A atividade reforçou o caráter popular do encontro e fortaleceu os laços entre universidade e povo.

2° Dia – Formação, Debate e Deliberações

Mesa sobre Estágio e a Profissão do Pedagogo

A mesa contou com a professora Vanessa (UFFS), a presidenta da ExNEPe, Ana Caroline, e a professora Ana, da rede estadual. As exposições foram marcadas por denúncias graves sobre o aprofundamento da precarização docente no Paraná: privatização das escolas, plataformização, intensificação da carga de trabalho e adoecimento dos profissionais.

Foram relembrados casos recentes de mortes e tentativas de suicídio de professoras no estado, evidenciando que a política de precarização é letal. As falas também denunciaram a dramática situação dos estágios: desvio de função, ausência de acompanhamento docente, uso de estagiárias como “tapa-buracos” e substitutas de profissionais. Situação que se aprofunda com a resolução 04/2024.

Grupos de Discussão

Os grupos de discussão foram momentos centrais de formulação coletiva. Estudantes de diferentes regiões puderam apresentar críticas, propostas, análises, contribuições ao plano de lutas e propostas de moções. Debateram-se os temas das mesas, situação política, movimento estudantil, trabalho de base, estágio, precarização e defesa da universidade pública.

Plenária Final

Na plenária final, a ex-diretoria estadual apresentou o balanço político e financeiro da gestão, reafirmando o grandioso histórico de lutas travadas no último período, das mobilizações em Maringá às ações em Laranjeiras do Sul, Curitiba e diversas regiões onde o trabalho da executiva tem florescido.

Em seguida, foi eleita a nova diretoria da ExPEPe, aprovados o plano de lutas e todas as moções debatidas nos grupos. O clima era de unidade e entusiasmo. Quando o vídeo de chamada para o 43° Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia, a ser realizado no Maranhão, foi exibido, o auditório explodiu em aplausos e palavras de ordem.

Mutirão de Limpeza

Encerrando o encontro, realizou-se um grande mutirão de limpeza que deixou as salas, auditórios, pátios e corredores mais limpos do que estavam quando foram recebidos. Como tradição do movimento estudantil combativo, essa prática reafirmou o compromisso com o cuidado coletivo, a disciplina e o respeito ao espaço público.

Plano de Lutas do 31º Encontro Paranaense de Estudantes de Pedagogia 

1) Lutar contra os cortes de verbas e a privatização das escolas e universidades de nosso país, compreendendo que tais medidas comprometem a autonomia pedagógica e administrativa, ameaçam a participação democrática e enfraquecem a organização combativa de estudantes, professores e funcionários. Impulsionar a mobilização de estudantes, pais e professores para que tomem as rédeas das instituições públicas, defendendo uma educação integralmente pública, gratuita e que respeite a autonomia desses espaços.

2) Lutar pela completa desmilitarização das escolas públicas e contra a presença de policiais em escolas e universidades de todo o país, defendendo o direito à livre associação, reunião e manifestação, e combatendo a perseguição política aos estudantes que lutam.

3) Fortalecer a defesa da formação unitária do pedagogo, que assegure a indissociabilidade entre docência, gestão e pesquisa, intervindo nas reformulações curriculares realizadas nas universidades sempre que necessário.

4) Lutar firmemente em defesa da formação científica nas escolas, contra o Novo Ensino Médio (NEM). Impulsionar a criação e organização de Grêmios Estudantis combativos e uma nova onda de ocupações secundaristas no Paraná, garantindo o direito dos estudantes de estudar e aprender, e dos professores de ensinar.

5) Disputar as eleições de Centros Acadêmicos (C.A.) e Diretórios Acadêmicos (D.A.) para ampliar nosso trabalho, construindo entidades representativas alinhadas à linha política da ExNEPe. Lutar pela criação de entidades onde não existirem. Além disso, avançar na intervenção ativa em eventos do campo da educação, fortalecendo a propaganda de nossa linha e a construção da luta em defesa do ensino público, gratuito e a serviço do povo, como nas Semanas da Pedagogia, Fóruns de Licenciaturas e Seminários de Formação.

6) Realizar contribuições financeiras à Executiva Nacional e impulsionar as campanhas de arrecadação coletiva, reconhecendo que essas contribuições são o único meio de autossustentação da ExNEPe. Assim, aderir plenamente à campanha nacional de arrecadação.

7) Derrubar os muros da universidade, impulsionando projetos de extensão que sirvam ao povo, com atividades de solidariedade ao povo palestino, aos povos originários e às comunidades empobrecidas, oferecendo formação política, reforço escolar, apoio pedagógico, lazer e cultura. Contribuir, ainda, para a organização popular em bairros e favelas, a exemplo dos comitês de solidariedade existentes em todo o país.

8) Ligar-se à luta dos professores e dos trabalhadores do campo e da cidade contra a precarização do trabalho docente e contra todos os ataques aos seus direitos, somando-nos às suas reivindicações e impulsionando a greve geral, unificando a luta de estudantes e demais trabalhadores.

9) Realizar atividades políticas — como atos, panfletagens, colagens de cartazes e debates públicos — no Dia do Estudante Combatente (28 de março).

10) Unificar a luta da Pedagogia com as demais licenciaturas em defesa da formação científica, contra a precarização do trabalho docente e pela defesa das escolas e universidades públicas, gratuitas e a serviço do povo.

11) Unificar a luta contra o programa “Escola em Tempo Integral”, que aprofunda a BNCC e suprime o ensino científico das escolas.

12) Realizar campanha de solidariedade e divulgação da luta dos camponeses de Rondônia da Área Revolucionária Valdiro Chagas e Tiago Campin dos Santos, que vêm sofrendo diversos ataques da PM guaxeba. Lutar também pela libertação de presos injustos, como a advogada do povo Lenir.  

13) Lutar contra a precarização dos estágios — remunerados ou obrigatórios — mobilizando, organizando e politizando os estagiários.

14) Defender o direito a uma educação adequada, lutando pela educação especial e contra a precarização dos docentes dessa área.

15) Lutar contra o desmonte da Educação de Jovens e Adultos (EJA), organizando debates em sua defesa e integrando essa pauta à luta contra o Novo Ensino Médio. Defender a abertura de novas turmas e melhores salários para os professores da EJA.

16) Combater a imposição da Educação a Distância (EAD) e a crescente plataformização da educação, denunciando que tais medidas ferem a autonomia docente e submetem o processo educativo a plataformas digitais privadas que limitam o conteúdo científico em prol de um ensino raso e pragmático, sob vigilância ideológica de governos e empresas.

17) Organizar comitês e mobilizar os estudantes — especialmente as companheiras — na luta contra a violência contra a mulher. 

18) Realizar luta constante para participar do 43º ENEPe no Maranhão, organizando campanhas de arrecadação e Pré-ENEPe.

07 de Dezembro de 2025

Cianorte – Paraná

Moções do 31º Encontro Paranaense de Estudantes de Pedagogia 

NOTA DE REPÚDIO CONTRA A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE NO ESTADO DO PARANÁ

Nós, estudantes reunidos no 31º Encontro Paranaense de Estudantes de Pedagogia, realizado em Cianorte (PR), expressamos nosso total repúdio à precarização do trabalho docente no estado do Paraná, impulsionada pelo avanço da privatização materializada no criminoso “Projeto Parceiros da Escola”, na plataformização e no crescente processo de militarização promovidos pelo governo privatista e reacionário do estado, representado por seus executores diretos: o governador Ratinho Jr. e o secretário da Educação, Roni Miranda.

Com a aprovação do Novo Ensino Médio, abriu-se a “porteira” para que fosse “passada a boiada” sobre o direito do povo de ensinar, estudar e aprender. Desde então, a plataformização passou a integrar o cotidiano de diversas escolas, constituindo-se como uma política privatista marcada por inúmeras denúncias de profissionais da educação e estudantes. De acordo com pesquisa realizada pela APP-Sindicato e pelo Instituto Pesquisas de Opinião, em 2023, 91,3% dos(as) professores(as) declararam estar sobrecarregados(as) com a avalanche de novas plataformas, aplicativos e meios tecnológicos, somados à cobrança pelo cumprimento de metas. Já 74,3% reconhecem impactos negativos desse modelo em sua saúde física e/ou mental, enquanto uma parcela ainda maior (78,3%) afirma ter colegas que adoeceram em decorrência das dificuldades impostas pelas novas tecnologias.

As condições de trabalho dos professores e pedagogos têm sido marcadas por crescente precarização e desvalorização, resultado direto do avanço da privatização expressa na plataformização, na implementação do projeto criminoso “Parceiros da Escola” e na militarização. Esse conjunto de políticas segue uma lógica de cobrança de metas absurdas e desumanas, culpabilizando os professores e impondo uma enorme sobrecarga de trabalho, com a aplicação de avaliações externas utilizadas apenas para inflar artificialmente indicadores como o IDEB — uma política “para inglês ver” que causa sérios prejuízos à saúde dos professores e ao aprendizado dos estudantes.

Como expressão dessa mesma lógica de exploração e adoecimento, neste ano ocorreu a morte da professora Silvaneide Monteiro Andrade, docente de Língua Portuguesa do Colégio Cívico-Militar Jayme Canet, da rede estadual de ensino em Curitiba, que faleceu durante o expediente no dia 30 de maio de 2025, logo após a visita de uma tutora da Secretaria de Estado da Educação (SEED) que a cobrou e criticou por não ter atingido as absurdas e inalcançáveis metas impostas pela plataforma de redação. Além disso, em Maringá, no dia 21 de outubro de 2025, uma professora do Colégio Estadual Dirce de Aguiar Maia atentou contra a própria vida no banheiro da instituição. Denúncia anônima feita ao Ministério Público apontou violência psicológica e assédio moral no ambiente de trabalho. Somam-se a esses casos as crescentes situações vexatórias vividas por professores PSS, submetidos a humilhações promovidas pela SEED. Tudo isso revela, de forma contundente, o aprofundamento da exploração sobre os profissionais da educação.

Os professores da rede pública do Paraná têm, cada vez mais, sua liberdade de cátedra e de expressão cerceadas pelos núcleos regionais e pelas empresas privadas envolvidas no processo de privatização da gestão escolar — situação ainda mais alarmante nos colégios cívico-militares, onde a presença de policiais aposentados, sem formação pedagógica, para fiscalizar o trabalho docente é completamente intimidadora. Assim, os profissionais da educação são obrigados a cumprir metas, a se submeter a plataformas digitais e a situações humilhantes, sem direito à contestação, enfrentando ameaças de demissão, perseguição e punição àqueles que ousam resistir e lutar contra esses ataques.

Por isso, convocamos todos os professores, estudantes e democratas do nosso povo a se somarem a essa luta. É preciso levantar bem alto a bandeira da educação pública, gratuita, científica e a serviço do povo — não apenas em palavras, mas em ações concretas. Entre essas ações, defendemos a organização combativa e a mobilização necessária para barrar os ataques em curso, para que mais ninguém tenha que morrer vítima da exploração insana e desenfreada.

ABAIXO À PLATAFORMIZAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO!

BARRAR A PRIVATIZAÇÃO COM GREVE DE OCUPAÇÃO!

MOÇÃO CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO POBRE E A VIOLÊNCIA POLICIAL NO PARANÁ 

Nós, da Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia – ExPEPe, reunidos no 31° EPEPe, vimos por meio desta denunciar contundentemente o genocídio em curso contra o povo pobre do Paraná e de todo o Brasil, um genocídio que, através do encarceramento em massa, da tortura sistemática e das execuções sumárias, destrói diuturnamente a vida e as famílias de milhares de jovens, operários, camponeses e indígenas. 

Neste ano escancarou-se o avanço dessa política de extermínio. No dia 16, uma “megaoperação” envolvendo as Polícias Militar, Civil e Penal do Paraná resultou em 43 prisões e sete mortes, todas apresentadas como “confrontos”. Os relatos das famílias, porém, revelam a verdade: moradores arrancados de suas casas levados para os fundos e depois executados, disparos à queima-roupa, ausência de câmeras e mandados. Essa “operação” não é um episódio isolado, mas parte de um projeto de Estado que elege o povo pobre como inimigo interno a ser combatido. 

A violência se espalha pelo estado, em Londrina, os jovens Wender Natan da Costa Bento (20) e Kelvin William de Oliveira (15) foram executados pela Polícia Militar, engrossando a dolorosa lista de milhares de jovens negros assassinados anualmente. Em Guaíra, a barbárie atingiu seu auge: dois indígenas foram decapitados, num crime que expõe a conivência das forças policiais e da Força Nacional com o genocídio dos povos originários. Em janeiro, seis pessoas foram mortas em Ponta Grossa, novamente sob a narrativa pronta de “reação”, usada para mascarar execuções sumárias. 

Nada disso é desvio de conduta ou exceção, somente em 2024, as forças policiais paranaenses assassinaram 413 pessoas, um aumento de mais de 20% em relação ao ano anterior. Desde 2019, já são 2.371 pessoas mortas pelas polícias no estado. Ao mesmo tempo, o encarceramento explode: mais de 124 mil prisões foram cumpridas nos últimos anos, empurrando o Paraná para uma das maiores populações carcerárias proporcionais do Brasil. O quadro se repete nacionalmente. 

Em 2025, o Rio de Janeiro registrou a maior chacina de sua história recente, com mais de 130 mortos. A violência se tornou instrumento político sendo usada para gerar pânico social, disputar votos e justificar orçamentos bilionários para a repressão do povo pobre, enquanto os verdadeiros chefes do crime seguem intocados. 

Rejeitamos as falsas justificativas de “combate ao tráfico”. O alvo real nunca foram as grandes estruturas criminosas, mas o povo pobre: os que vivem nas favelas, aldeias, ocupações e acampamentos. É contra essas famílias que se move o velho Estado, sustentado por uma estrutura que permite à polícia investigar a si mesma, garantindo total impunidade. 

Diante desse cenário, convocamos a juventude e o movimento estudantil independente e combativo a se levantar contra o atual genocídio em curso. É tarefa urgente denunciar cada execução, apoiar as famílias atingidas, fortalecer as organizações populares e estar ombro a ombro com o povo em sua justa rebelião. Por isso, nos somamos à Campanha Unificada pelo Fim do Genocídio contra o Povo Pobre do Brasil e chamamos todos a transformar as universidades em caixas de ressonância das lutas populares, organizando palestras, panfletagens, colagem de cartazes, faixas e toda ação que amplifique a voz e a resistência do nosso povo.

ABAIXO O GENOCÍDIO CONTRA O POVO POBRE DO BRASIL!

PELA ORGANIZAÇÃO COMBATIVA DO POVO PARA DERROTAR A VIOLÊNCIA DE ESTADO!

REBELAR-SE É JUSTO!

LIBERDADE IMEDIATA PARA LENIR E TODOS OS CAMPONESES PRESOS, LUTAR NÃO É CRIME! ABAIXO A OPERAÇÃO ‘GODOS’!

A Executiva Paranaense dos Estudantes de Pedagogia vem a público para expressar sua contundente solidariedade aos camponeses da Área Tiago Campin dos Santos e para denunciar, a brutal Operação “Godos”, deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia em conluio com a Polícia Militar, numa clara ofensiva do latifúndio e dos velhos poderes contra a justa e combativa luta pela terra. A operação — marcada por prisões arbitrárias, invasões, destruição de barracos e emprego de um aparato policial descomunal — escancara a tentativa de criminalizar e demonizar o movimento camponês organizado, transformando trabalhadores pobres em “inimigos internos” para atender aos interesses de grileiros, especuladores e monopólios que historicamente saqueiam o povo e a terra.

Entre os presos está a advogada popular Lenir Correia, conhecida pelo compromisso com os direitos do povo e por defender camponeses ameaçados, perseguidos e violentados pelo latifúndio. Sua prisão, amplamente denunciada por organizações democráticas, constitui um ataque frontal às prerrogativas da advocacia e à própria defesa dos direitos humanos, evidenciando o caráter político e persecutório da operação. Mesmo com problemas de saúde, Lenir foi mantida em cárcere, demonstrando a sanha repressiva daqueles que pretendem calar a voz dos que lutam e dos que defendem os pobres do campo.

As denúncias apontam que mais de quatrocentos policiais participaram da investida, que contou com mortes, prisões e a tentativa de desintegração completa da comunidade camponesa da área. Famílias inteiras foram expulsas de seus lotes, cercadas por homens armados, impedidas de colher sua produção, e submetidas a humilhações e ameaças — numa repetição cruel da política de guerra que o Estado brasileiro historicamente direciona contra aqueles que ousam lutar por um pedaço de terra para viver e produzir. Tais ações, além de arbitrárias, servem aos velhos interesses latifundiários que historicamente disputam a região, buscando entregar terras públicas para madeireiros e grileiros protegidos pelas instituições oficiais.

Assim, esta moção afirma integral repúdio a essa operação fascista e denuncia sua verdadeira natureza: uma tentativa de destruir um movimento que há anos vem transformando terra abandonada e improdutiva em produção, vida e dignidade. A criminalização da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e de toda a organização popular não passa de uma manobra política destinada a sufocar qualquer forma de resistência do povo e impedir o avanço da luta camponesa que, com firmeza, tem desmascarado os crimes do latifúndio e construído alternativas reais para os trabalhadores do campo.

Exigimos, portanto, a imediata libertação de Lenir Correia e de todos os camponeses presos; o fim das perseguições, mandados forjados e processos políticos; a responsabilização do aparato repressivo pelas arbitrariedades cometidas; e o respeito absoluto aos direitos das famílias camponesas, que devem permanecer na área que vive e trabalham. É inadmissível que o Estado siga atuando como jagunço do latifúndio, utilizando sua força para destruir comunidades inteiras e silenciar os que ousam lutar.

Reafirmamos nossa solidariedade à luta pela terra em Rondônia e em todo o país, saudamos a resistência dos camponeses pobres que, mesmo diante da violência, seguem firmes e organizados, e conclamamos todas as entidades democráticas, movimentos populares, sindicatos, centros acadêmicos, organizações de defesa dos direitos humanos e todo o povo trabalhador a denunciar essa escalada repressiva e a fortalecer a campanha pela liberdade dos presos e contra a Operação Godos. A luta camponesa é justa, legítima e necessária; e nenhum aparato policial será capaz de impedir a marcha do povo por sua terra! 

VIVA A JUSTA LUTA PELA TERRA!

LUTAR NÃO É CRIME!

ABAIXO A OPERAÇÃO ‘GODOS’!

PELA LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE LENIR E TODOS OS CAMPONESES PRESOS! 

MOÇÃO DE APOIO À LUTA DOS POVOS INDÍGENAS AVÁ-GUARANI

A Executiva Paranaense dos estudantes de Pedagogia vem por meio desta manifestar nosso mais profundo repúdio à escalada de violência, perseguição e terrorismo paramilitar que vem sendo imposta aos povos Avá-Guarani no Paraná, bem como nossa solidariedade intransigente à sua luta pela retomada e defesa de seus territórios tradicionais. O brutal assassinato do jovem indígena Everton Lopes Rodrigues, encontrado decapitado e com a cabeça fincada em uma estaca ao lado de uma carta assinada por bandos paramilitares ligados ao latifúndio, escancara o caráter genocida da ofensiva em curso contra os povos originários, que há anos sofrem ataques armados, intimidação, destruição de roças, expulsões e contínuas ameaças de morte. Este crime bárbaro não é um episódio isolado, mas expressão da política de terror promovida por milícias a serviço de grandes proprietários rurais, que buscam, por meio da violência extrema, impedir o avanço das retomadas e quebrar a resistência das comunidades indígenas.

Ao mesmo tempo, a condenação absurda e persecutória do cacique Izaias Benites — que apenas defendeu seu povo diante da invasão da Força Nacional de Segurança acompanhada de latifundiários contra a retomada Tekoha Arakoê — demonstra a completa parcialidade do velho Estado, que criminaliza lideranças indígenas enquanto protege e legitima a ação dos verdadeiros agressores. É evidente o conluio entre facções do latifúndio e setores das forças repressivas, que atuam como braços armados daqueles que desejam expulsar, silenciar e destruir os povos Avá-Guarani, negando-lhes o direito ancestral à terra, à vida e à autodeterminação.

Denunciamos, portanto, que a perseguição aos indígenas no oeste do Paraná é parte de um projeto de extermínio que combina violência aberta de pistoleiros e paramilitares, omissão cúmplice das autoridades e criminalização judicial das lideranças que ousam resistir. Essa ofensiva fascista, visa manter o controle do latifúndio sobre terras públicas e tradicionais, perpetuando séculos de injustiça e espoliação.

Diante dessa situação gravíssima, expressamos nossa irrestrita solidariedade às comunidades Avá-Guarani e reafirmamos que sua luta é legítima, necessária e profundamente justa. Não aceitaremos que a decapitação de jovens, a perseguição de caciques, a destruição de aldeias e o terror paramilitar sejam naturalizados ou permaneçam impunes. Exigimos a imediata responsabilização dos mandantes e executores desses crimes, a proteção efetiva das comunidades ameaçadas, o fim da perseguição judicial a lideranças indígenas e o avanço urgente dos processos de demarcação das terras Avá-Guarani.

Reafirmamos, por fim, que a luta dos povos originários é a luta pela vida, pela justiça e pela dignidade, e que nenhuma força do latifúndio ou do aparato repressivo será capaz de deter a resistência daqueles que defendem suas terras ancestrais. Frente ao terror imposto pelos inimigos do povo, fortalecemos nossa voz de apoio, denúncia e solidariedade ativa aos povos Avá-Guarani, que seguem firmes na defesa de seus territórios e de seus direitos históricos.

VIVA A JUSTA LUTA DOS POVOS INDÍGENAS!

TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!

MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE AOS MORADORES DE RIO BONITO DO IGUAÇU E DE REPÚDIO AO DESCASO DO GOVERNO

Nós, da Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia – ExPEPe, reunidos no 31° EPEPe, manifestamos nossa mais profunda solidariedade ao povo de Rio Bonito do Iguaçu diante da tragédia provocada pelo tornado ocorrido em 7 de novembro de 2025, que destruiu 90% da cidade, deixou sete mortos, centenas de feridos e milhares de famílias sem casa, sem energia e sem água. O sofrimento vivido pela população escancara, uma vez mais, a completa falência do Estado brasileiro e o abandono sistemático do povo pobre do campo e da cidade.

As promessas vazias, as visitas de “autoridades”, as migalhas emergenciais e as medidas paliativas não resolvem a raiz do problema. Em um país onde mais de 2.800 municípios já estão em alta vulnerabilidade climática e onde a maioria sequer possui planos de prevenção, o que vemos é a repetição de tragédias anunciadas. Ano após ano, as catástrofes recaem sobre os mais pobres, enquanto governos de turno seguem imóveis, omitindo investimentos estruturais e abandonando as massas à própria sorte. A calamidade climática é, em sua essência, filha direta da inércia e da decadência desse sistema.

Mesmo assim, o nosso povo resiste e luta. Desde as primeiras horas do tornado, ficou evidente aquilo que sempre afirmamos: quem gosta de nós somos nós e aqueles que vêm nos ajudar. Prova disso foi o papel imediato e decisivo do movimento estudantil independente e combativo da região que, em menos de uma hora após os acontecimentos, já havia se mobilizado para organizar as primeiras doações. Nas primeiras horas, foram garantidos dois colchões, mais de vinte sacos de roupas e alimentos não perecíveis, todos frutos da solidariedade direta das massas.

Nos dois dias seguintes, a mobilização cresceu e se aprofundou. Os estudantes organizaram a produção, dentro do espaço da universidade, de mais de 200 marmitas para as famílias atingidas. Nos demais dias, lançaram-se completamente às tarefas emergenciais: telhando casas, retirando entulho, limpando residências, colocando forro, ajudando no transporte e no acolhimento dos atingidos. O que o governo não fez, o povo fez, de forma independente, organizada e combativa.

Dessa prática concreta nasceu uma das expressões mais importantes dessa solidariedade popular: o Comitê de Solidariedade Josué de Castro, formado pelos próprios moradores da cidade, estudantes, professores, operários e camponeses. A partir de doações das massas, o Comitê conquistou um imóvel para funcionar como sede. Após mutirões de limpeza e reparos, o espaço já está em funcionamento, servindo para a distribuição de alimentos e, em breve, abrigará aulas de reforço para crianças e adultos, oficinas comunitárias, atividades esportivas e a organização de uma horta coletiva em um terreno cedido ao Comitê.

Afirmamos sem hesitação: o que destrói nossas cidades e mata nosso povo não é apenas a força dos ventos, mas a força da negligência, do descaso e do abandono estatal, que joga sobre os ombros das próprias vítimas o peso da reconstrução. E, ao mesmo tempo, reafirmamos com convicção que é somente pela organização popular, pela união das massas e pela solidariedade ativa e combativa que o povo pobre se salvará de fato.

Reiteramos, assim, nossa solidariedade incondicional aos moradores de Rio Bonito do Iguaçu e nosso compromisso em estar ao lado de todos os atingidos, ajudando da forma que for possível na luta pelos seus justos direitos e contra a burocracia e a omissão dos diferentes governos, seja municipal, estadual ou federal. Chamamos todos a fortalecer o Comitê de Solidariedade Josué de Castro e a seguir firmes na certeza de que somente o povo salva o povo.

DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE, SERVIR AO POVO, NO CAMPO E NA CIDADE!

VIVA O COMITÊ DE SOLIDARIEDADE JOSUÉ DE CASTRO!

MOÇÃO DE LUTA CONTRA O FECHAMENTO DAS ESCOLAS DO CAMPO, CONTRA O AVANÇO DA MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS, E PRIVATIZAÇÃO

A Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia (ExPEPe) têm movido ativamente suas forças contra o avanço da militarização e privatização das escolas, através de manifestações, panfletagens, fomentação do debate e eventos que tratam sobre o tema. 

O avanço da privatização sob vigilância da Secretaria de Estado da Educação (SEED-PR), recentemente foi votado em 97 escolas paranaenses pela implementação ou não dos “parceiros” da escola. Dessas, 83 escolas votaram contra, 12 escolas favoráveis e 2 escolas não atingiram quórum mínimo. 

Isso comprova que a própria comunidade escolar não aceita, de forma geral, a escola nas mãos de empresas privadas, que se propõe a fazer gestão. Existe um debate acerca do próprio pedagogo se qualificar cada vez mais em gestão, colocar um especialista em mercado para lidar com gestão pública é um tiro no pé, visto que educação não é mercadoria e precisa dos aportes pedagógicos no desenvolvimento da gerência dos recursos.

Denunciando a militarização das escolas, respaldamos nas seguintes situações: em Colombo ocorreu recentemente uma exposição de armas de alto calibre; um descarado culto à polícia militar; crianças foram obrigadas a entoar “hinos” e fazer um ritual de culto ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e à violência policial que genocida nosso povo pobre no país. Muitos casos de assédios, abusos e aumento da violência entre os estudantes e com os professores; professores sofrendo repressão e adoecendo cada vez mais; salários de abundância para os militares aposentados que atuam nas escolas para realizar um trabalho em que já existem pessoas responsáveis, como inspetores – a exemplo, os monitores militares recebem R$5,5 mil enquanto professoras recebem em média R$ 4,9 mil e os funcionários recebem R$2,1 mil; e fechamento dos períodos noturnos nas escolas, o que prejudica os estudantes que precisam trabalhar.

Outro projeto da gestão de Ratinho Jr é o fechamento das escolas de campo, que é divulgado junto ao fechamento de escolas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Isso, atrelado a uma série de ilegalidades, que conforme matéria do Brasil de Fato (2025) já foram apontadas em dossiê e entregues à SEED-PR, mas foi alegado que não tiveram acesso aos questionamentos. É inconstitucional o fechamento de escolas dessa modalidade, visto que é a negação de um direito basilar. Outro fator é, como muito bem explícito, a falta de democracia no processo, visto que quando vão realizar as reuniões para “debater” com a comunidade, já têm a documentação do fechamento da escola e vão apenas fazer um anúncio. Isso causa uma espécie de alarde nas escolas de campo que sempre têm a preocupação de se levantar contra o fechamento e se armar de recursos jurídicos, mas principalmente humanos, fazendo greves, ocupações e protestos para combater essa politicagem nefasta anti-povo de fechamento de escolas do campo e de jovens e adultos, sem qualquer justificativa, quiçá preocupação da gestão da SEED-PR e do governo estadual.

Compreendemos que o único caminho de combate à essas movimentações do projeto de “educação” e governo de Carlos Roberto Massa Junior, que atende pelo pseudônimo parecido com seu caráter: Ratinho Jr, é a mobilização e organização da comunidade escolar e dos trabalhadores da educação, se apropriando da situação e denunciando e, para além disso, combatendo o fechamento de suas escolas, a privatização ou a implementação do cívico-militar. Só lutando radicalmente, de forma a escrachar a vontade popular mudará a situação significativamente!

ABAIXO O FECHAMENTO INCONSTITUCIONAL E ILEGAL DAS ESCOLAS DE CAMPO!

ABAIXO A MILITARIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO DAS ESCOLAS!

VIVA A MOBILIZAÇÃO POPULAR CONTRA AS POLÍTICAS DE PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO!

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