[PB] Estudantes da UFPB ocupam a reitoria contra descaso com o RU

Reproduzimos matéria do Jornal A Nova Democracia. 

Em uma contundente manifestação realizada no dia 2 de outubro, os estudantes do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) marcharam até a reitoria e ocuparam o prédio contra o descaso com o Restaurante Universitário (RU) da instituição. O ato foi convocado pelo Coletivo Aurora Democrática e partiu da praça do Centro de Educação (CE), seguindo até a reitoria pela principal avenida do campus, fechando uma faixa. Os estudantes exigiram que a reitora Terezinha Domiciano assinasse um ofício cobrando a quebra de contrato com a ISM Gomes de Mattos LTDA, operadora do RU, e a abertura imediata de uma nova licitação. Apesar de deixarem o prédio no mesmo dia, os estudantes prometeram aumentar a mobilização e a continuar a convocar as massas estudantis para a greve de ocupação.

Os estudantes marcharam com faixa, megafone e entoando palavras de ordem denunciando o aumento absurdo do preço das refeições e a continuação do contrato com a ISM, acusada pelos estudantes por diversas ingerências. A manifestação foi antecedida por uma intensa mobilização que incluiu passagens em salas de aula.

O ofício entregue pelos ativistas focou em dois pontos principais: o aumento injustificado do preço das refeições e a péssima qualidade do serviço, comprometendo a permanência estudantil e a saúde e o bem estar dos estudantes. Com base nisso, o ofício exige a rescisão do contrato com a ISM e a abertura imediata de um novo processo licitatório. 

O aumento do preço se refere ao valor de R$ 17,33 sancionado pela reitoria no dia 15 de agosto, consolidando o restaurante como o mais caro do país entre as universidades federais. A reitoria usou como justificativa o não encerramento da unidade após a desistência da empresa vencedora do último pregão de assumir a operação, levando à extensão do contrato com a atual operadora, a ISM, sob a condição do aumento do preço das refeições. Uma nova licitação, no entanto, está prevista para ser aberta apenas em dezembro, quatro meses depois do ocorrido.

Já a péssima qualidade do serviço se refere aos sucessivos relatos de intoxicação de estudantes. Em um caso massivo ocorrido em fevereiro deste ano, mais de 300 estudantes relataram sintomas de intoxicação alimentar após comerem na unidade. A reitoria anunciou à época a abertura de uma apuração para investigar o caso, mas até hoje não divulgou o resultado. Além disso, há relatos constantes de estudantes passando mal após se alimentarem no restaurante, chegando ao cúmulo de uma barata ser encontrada em uma refeição em agosto.

Após o aumento absurdo, estudantes combativos realizaram diversas manifestações. A própria ocupação em 2 de outubro ocorreu cerca de duas semanas depois do Coletivo Aurora Democrática ter realizado uma grande agitação em frente ao RU, onde distribuíram mil panfletos.

Os ativistas do Coletivo afirmaram constantemente, tanto no panfleto entregue quanto nas agitações no megafone, a necessidade de seguir com a greve de ocupação para conquistar um RU gratuito e de qualidade para os estudantes e para barrar os ataques privatistas à educação pública de forma geral. “Barremos este e outros ataques, não com conchavos e apertos de mão com a REItoria, como fez o DCE, mas com luta, com mobilização, e em última instância com greve de ocupação,” afirmaram os ativistas no panfleto.

A greve de ocupação: método legítimo e eficaz

Um exemplo claro da força do movimento estudantil combativo e da eficiência da Greve de Ocupação foi dado pelos estudantes da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Laranjeiras do Sul (UFFS), que ocuparam o Bloco A nos dia 19 e 20 de agosto contra o fechamento repentino do RU e, em menos de 48 horas, conquistaram garantias emergenciais para diminuir os impactos da ausência do restaurante.

Outro exemplo ocorreu no dia 5 de junho, quando estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) ocuparam o RU da instituição e fizeram um “catracaço”, servindo mais de 200 refeições gratuitas. A empresa PUPO que administra o restaurante, embora mantenha o preço mais caro da região Norte, é alvo constante de denúncias das condições insalubres do local, com objetos contaminantes como pregos, fio dental, porcas de parafuso, larvas, pedaços de barata, moscas e pedras encontrados nas refeições. Esses exemplos demonstram a tendência de crescimento das greves de ocupação por todo o País.

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