Nos dias 7 e 8 de dezembro de 2024, a Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, foi palco do 27º Encontro Paulista dos Estudantes de Pedagogia (EPEPe), um evento de grande relevância para a formação e mobilização política dos estudantes de Pedagogia de todo o estado de São Paulo. Com o tema “Em defesa das escolas e universidades públicas, gratuitas e a serviço do povo: derrotar os cortes de verbas e as privatizações das escolas e universidades em todo o Brasil!”, o encontro reuniu mais de 80 de estudantes que compartilharam um profundo compromisso com a educação pública, gratuita e a serviço do povo.
Este ano, o EPEPe contou com a participação de delegações de 16 cidades paulistas, incluindo Araraquara, Cajamar, Campinas, Carapicuíba, Diadema, Guarujá, Guarulhos, Limeira, Osasco, Ribeirão Preto, Santos, São Paulo, São Vicente, Sorocaba, Praia Grande e Caieiras. Representando suas universidades, escolas e regiões, os estudantes chegaram ao evento com um imenso entusiasmo e uma postura combativa, prontos para discutir e deliberar sobre os rumos da educação no Brasil.
A mesa de abertura do encontro foi marcada por apresentações e saudações calorosas das delegações, que expressaram suas expectativas e compromisso com as pautas do evento. Em seguida, ocorreu a leitura do regimento, que foi aprovado por todos os participantes, reforçando o caráter democrático e participativo do encontro. O regimento estabeleceu as normas para a organização das atividades. Após a aprovação do regimento, as comissões responsáveis pela organização do evento foram formalmente constituídas, entre elas as comissões de limpeza, propaganda, segurança, creche, alimentação e agitação para garantir o bom funcionamento e a participação ativa de todos os presentes.
Além disso, tivemos a apresentação da Comissão Organizadora que destacou as responsabilidades e os desafios assumidos para viabilizar o encontro. A comissão fez um relato sobre os preparativos e os objetivos do evento, além da saudação calorosa à ExNEPe.
Ainda durante a mesa de abertura, contamos com a participação da Profa. Dra. Carlota Boto, diretora da FEUSP (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo) e da Profa. Dra. Vivian Batista da Silva, professora associada da FEUSP e diretora da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (EA/FEUSP). A abertura, representada por essas duas figuras, foi de extrema importância, pois assim como ressaltada pelas mesmas, o evento tem uma tamanha importância, representatividade e organização, que será sempre recordada pela FEUSP e pela Escola de Aplicação, além de estabelecer uma devida importância histórica para os estudantes.
Logo após a mesa de abertura, deu-se início à primeira mesa de debates do encontro, que foi marcada por uma rica troca de ideias e reflexões. Para dar início a esse momento de discussões, tivemos a presença de um representante do jornal A Nova Democracia, que trouxe uma análise crítica sobre a conjuntura política nacional e internacional. Para enriquecer ainda mais o debate, contamos também com a participação de Rawa Alsagherer, uma ativista palestina de destaque e coordenadora de importantes movimentos internacionais, como o Samidoun e o Movimento Caminho Palestino Revolucionário Alternativo, entre outros. A palestra de Rawa foi de grande importância, pois trouxe uma abordagem profunda sobre a situação política da Palestina, as lutas do povo palestino e a relação dessas questões com os desafios globais atuais.
Os dois palestrantes trouxeram análises contundentes sobre as contradições e crises que atravessam o cenário político mundial, abordando, entre outros aspectos, as tensões geopolíticas, os processos de resistência e as lutas pela autodeterminação dos povos. A participação de Rawa Alsagherer foi particularmente impactante, pois ao expor a realidade da Palestina, ela estabeleceu uma conexão direta com a realidade educacional, social e política brasileira, gerando um debate amplo sobre as formas de resistência, a solidariedade internacional e a importância de entender os contextos globais ao refletir sobre as questões locais, como as reformas educacionais e as privatizações em curso no Brasil.
Após as exposições iniciais, a mesa se abriu para uma série de perguntas e intervenções do público, que aprofundaram ainda mais as discussões, estabelecendo conexões entre a situação internacional e os desafios que os estudantes enfrentam na luta pela educação pública e gratuita no Brasil. As intervenções possibilitaram um entendimento mais amplo sobre as contradições políticas que afetam tanto o Brasil quanto o mundo, além de estreitar a compreensão sobre como a luta pela educação se insere num contexto maior de resistência aos ataques neoliberais e de organismos internacionais.
Ao final da manhã, foi servido um almoço sob marmitas, para todos os participantes que optaram pela modalidade de inscrição no valor de R$55,00, que incluía não apenas a alimentação, mas também o alojamento e o kit de credenciamento. Esta modalidade de inscrição foi pensada para oferecer aos participantes maior comodidade, durante o evento. Na alimentação, foi garantido os cafés da manhã, almoço e janta dos dois dias de evento.
No período da tarde, foi realizada a mesa de debates intitulada “Em defesa das Escolas e Universidades Públicas, Gratuitas e a Serviço do Povo: Derrotar os Cortes de Verbas e as Privatizações das Escolas e Universidades em todo o Brasil!”. A mesa foi mediada pelo professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP, e pela doutoranda em educação da mesma instituição, Monique Pessôa. Ambos conduziram a discussão com uma abordagem crítica e engajada, garantindo um espaço de debate sobre os desafios que a educação pública enfrenta no contexto atual.
A mesa contou também com a valiosa contribuição de Marcella Bueno, estudante secundarista da Escola Estadual Antônio Ablas Filho e presidenta do Grêmio Estudantil Alexandre Magno. Marcella trouxe uma perspectiva fundamental, representando a luta dos estudantes secundaristas contra as políticas de destruição da educação pública e o impacto negativo das reformas educacionais propostas pelo governo.
O debate foi de extrema importância, abordando questões cruciais que afetam diretamente a qualidade da educação pública no Brasil. Entre os tópicos centrais discutidos, destacaram-se as críticas ao Novo Ensino Médio (NEM), que tem sido amplamente questionado por sua precarização do currículo escolar e pela imposição de um modelo que negligencia a formação integral dos estudantes. Os participantes também levantaram questões sobre a crescente militarização das escolas, apontando os riscos de um modelo autoritário e excludente que limita a liberdade de expressão e o pensamento crítico nas instituições de ensino.
Além disso, o debate se aprofundou na defesa da greve de ocupação como uma das principais ferramentas de luta para garantir os direitos dos estudantes, tanto no ambiente acadêmico quanto no escolar. A greve de ocupação, histórica no Brasil como um instrumento de resistência contra os cortes de verbas e as privatizações, foi destacada como uma forma eficaz de mobilização para a preservação dos direitos dos estudantes e pela melhoria das condições de ensino. A troca de experiências sobre ocupações passadas e as vitórias conquistadas pelos estudantes fortaleceu a convicção de que a luta organizada é essencial para garantir a qualidade e a gratuidade da educação pública.
Ainda durante a programação do primeiro dia do 27º EPEPe, foi exibido o documentário “Lute como uma Menina!”, que abordou as lutas estudantis e femininas, especialmente as greves, ocupações e movimentos em defesa do ensino público e gratuito. A exibição gerou um debate significativo sobre a participação das mulheres na sociedade e na academia, destacando as mulheres como protagonistas dessas lutas.
O debate contou com a presença de duas convidadas especiais: uma representante do Movimento Feminino Popular (MFP) e outra do Grupo de Mulheres Remis Carla. Elas compartilharam suas experiências sobre a organização popular e as lutas das mulheres, especialmente as mulheres trabalhadoras e dos povos originários, fortalecendo a discussão sobre resistência e luta feminina.
Para finalizar o dia, houve uma oficina de capoeira e apresentações culturais das delegações, com músicas, poemas e cantigas, enriquecendo a programação com expressões culturais e reafirmando o caráter de resistência e união do evento.
No segundo dia do evento, as discussões foram iniciadas com a mesa “Pelo currículo científico nas escolas e na formação de professores!”, que trouxe à tona temas essenciais para a educação pública no Brasil. A mesa foi mediada pela profa. Dra. Thaiany Guedes, docente da Universidade do Estado do Amazonas, e por Gustavo Martins, estudante de Pedagogia da Unifesp (campus Guarulhos). Ambos conduziram o debate com uma visão crítica e profunda, abordando a importância de um currículo científico, democrático e inclusivo nas escolas e no processo de formação dos professores.
A mesa teve uma relevância fundamental para todos os participantes, incluindo secundaristas, profissionais da educação e apoiadores do evento. O debate foi enriquecido por uma série de intervenções políticas dos presentes no evento, que trouxeram à tona questões sobre como o currículo escolar tem sido moldado, frequentemente em detrimento da formação crítica e de uma educação que esteja realmente a serviço do povo. As discussões abordaram as dificuldades enfrentadas pelos professores na implementação de um currículo que seja capaz de promover o pensamento científico e crítico, além de discutir a necessidade de uma educação que combata as desigualdades sociais e reflita a diversidade da realidade brasileira.
A mesa também tocou nas consequências das reformas educacionais atuais e os cortes de verbas crescentes no âmbito da educação, que buscam, muitas vezes, desmantelar o caráter científico e plural da educação. A importância de resistir a essas mudanças foi uma das pautas centrais da conversa, com ênfase na necessidade de fortalecer a educação pública, gratuita e a serviço do povo.
Após a primeira mesa, os participantes puderam garantir novamente sua alimentação, com as marmitas servidas no próprio local. Em seguida, a programação prosseguiu com a realização dos Grupos de Discussões (GDs), onde os participantes foram divididos em quatro grupos, possibilitando um espaço para reflexão, balanço, propostas de planos de luta e posicionamento sobre o evento. Essa atividade se revelou de extrema importância, pois, além de promover a análise crítica sobre o que foi discutido nas mesas do evento, possibilitou que os participantes formulassem encaminhamentos e planos de luta, que seriam levados para a plenária final.
A plenária final reuniu todos os participantes para uma avaliação coletiva do evento. Os participantes expressaram a alegria e satisfação de terem participado do 27º EPEPe, destacando a importância do encontro para o fortalecimento da luta pela educação pública e gratuita. Durante a plenária, foi lido e discutido amplamente o plano de lutas e das moções de apoio, com uma participação democrática de todos os presentes, que puderam fazer sugestões e ajustes nas pautas. A votação do plano de lutas ocorreu conforme a leitura de cada pauta, garantindo que cada um tivesse a oportunidade de se posicionar sobre as ações a serem tomadas no futuro.
Outro momento importante da plenária foi a eleição das novas representantes titulares suplentes da Executiva Paulista, um passo fundamental para a continuidade do trabalho em prol da educação e das lutas no estado. Também foram entregues os certificados à Comissão Organizadora (C.O.) e a todos os participantes.

Como parte das atividades de encerramento, foram gravados dois vídeos de apoio: um em solidariedade a cinco estudantes perseguidos pela reitoria da USP, por se solidarizarem e defenderem a luta do povo palestino e também a dois professores da PUC que tem sofrido censuras e perseguições de sionistas por se posicionarem contra o genocídio palestino. E o outro vídeo, foi declarado apoio incondicional a luta camponesa dos posseiros de Barro Branco/PE e também apoio aos camponês de Messias/AL. Esses vídeos reforçaram a importância da solidariedade internacional da luta pelo povo palestino e da intensa luta dos camponeses.

A noite foi concluída com a oferta de um lanche aos participantes e a convocação para um mutirão de limpeza, que teve como objetivo deixar o local do evento, o Colégio de Aplicação da FEUSP, limpo e pronto para receber os estudantes no início da semana. Esse momento simbolizou o compromisso dos participantes com a organização e o respeito ao espaço que acolheu o encontro. Após o mutirão, todos se encaminharam para os dormitórios e as delegações começaram a retornar às suas respectivas cidades, levando consigo as reflexões e os encaminhamentos do encontro.
O 27º EPEPe foi amplamente considerado um evento de grande sucesso, sendo reconhecido por sua organização e pela participação ativa dos estudantes, que se empenharam ao máximo para fazer deste encontro o maior já realizado no estado de São Paulo. A influência da ExNEPe (Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia) também foi destacada, especialmente na organização e coordenação do evento, e a importância da participação e mobilização estudantil foi reconhecida por todos.
Em seu encerramento, a ExNEPe expressou sua saudação a todos os participantes do encontro, incluindo estudantes universitários, secundaristas, pais, professores e ativistas, destacando a importância da realização do vitorioso 27º EPEPe. Foi realizado também um agradecimento especial à Comissão Organizadora e a todos aqueles que dedicaram seu tempo e energia para garantir o sucesso do encontro. Agradeceram também aos palestrantes, que se dispuseram a compartilhar seu conhecimento e experiências de luta.
VIVA AO VITORIOSO 27º EPEPE NA USP!