[PE] Estudantes ocupam reitoria da UFPE e conquistam ônibus para o 43º ENEPe

No dia 25 de maio, mais de 30 estudantes conquistaram um ônibus para ir para o 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe) através de uma greve de ocupação relâmpago na reitoria da Universidade Federal de Pernambuco. 

A luta pela conquista do ônibus já corria a meses. Em meio à luta pela paridade de votos dentro do conselho universitário, os estudantes reivindicaram o ônibus durante uma combativa manifestação, que ocorreu no dia 16 de abril. No mesmo mês, estudantes através do apoio de professores democráticos, abriram um processo administrativo para conseguir o veículo através dos meios propostos pela própria universidade. Correu mais de um mês que o processo foi aberto, e os estudantes cobraram.

No dia 14 de maio, ocorreu uma reunião entre uma massiva comissão de estudantes e a reitoria, onde foi planteada a possibilidade de pedir um ônibus ao Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e fazer o orçamento para alugar um veículo, porque os ônibus do Campus Recife da UFPE não tinham condições de realizar a viagem. Para não sair de mãos abanando, os estudantes exigiram e conquistaram uma nova reunião.

Para a ocasião, foi realizada uma grande mobilização em diversos campi do nordeste. No dia 25 de março, data limite que os estudantes estabeleceram para a resposta da Universidade, devido a proximidade do 43º ENEPe, estava lá, uma comissão composta por mais de 20 estudantes, alunos do Campi da UFPE em Recife, Caruaru, secundaristas do IFPE e uma delegação de estudantes da UFPB. 

De início ocorreu um atraso por parte do representante da reitoria, o chefe do gabinete do reitor, Fernando do Nascimento. Porém, sem tempo a perder, os estudantes entraram e esperaram pacientemente suas duas horas de atraso dentro da reitoria. Frente a isso, a universidade enviou um assessor para entregar o ofício que eles haviam enviado ao IFPE e explicar o atraso de Fernando do Nascimento, mas a juventude considerou insuficiente para seus objetivos e decidiram: só sairiam de lá quando conquistassem ônibus! Reitoria ocupada!

Algum tempo depois, o representante chegou ao local e se reuniu com os estudantes. Durante a reunião, Fernando do Nascimento afirmou que a universidade não tinha verba para a locação – fruto direto dos cortes do governo petista do pelego-mor, Luiz Inácio – e que só havia o caminho do ônibus do IFPE, que ainda não tinha respondido o ofício enviado pela Universidade. Já preparados, estudantes de pedagogia do interior informaram que o Campus de Caruaru da UFPE tinha um micro-ônibus com plenas capacidades de realizar a viagem. Vendo a determinação dos estudantes, Fernando se comprometeu em contatar o setor de transportes do Campus Agreste e verificar novamente a situação do processo com o IF durante o almoço.

Logo após a reunião, os estudantes se preparam para a luta prolongada. Foram criadas comissões para tocar o funcionamento da ocupação: uma comissão de mobilização, para chamar o máximo de pessoas para reitoria; uma comissão de creche, para cuidar dos filhos das companheiras e companheiros lá entrincheirados; uma comissão de alimentação, que foi ao mercado para garantir o almoço para todos os estudantes; e uma comissão para ir no IFPE e verificar o estado do processo. Os demais, que não se organizaram em nenhuma destas comissões, realizaram uma atividade de estudo dentro da reitoria e leram o último editorial do Jornal A Nova Democracia, “Como impedir a volta do bolsonarismo assumindo posições do bolsonarismo”, que denuncia as práticas reacionárias e anti-povo do governo de Luiz Inácio, e a Carta-Convite para o 43º ENEPe, com o tema “A agressão imperialista ianque na América Latina e a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira: o papel da pedagogia, licenciaturas, estudantes e professores na luta em defesa do ensino público gratuito e científico”, tudo como forma de preparação para travar as batalhas futuras.

A comissão do IFPE chegou ao instituto e eles informaram que o processo não estava com a secretária do Campus Recife e que o setor que encaminha os processos do IF se localiza em outro local, o antigo prédio da Sudene. Os estudantes então voltaram para a ocupação, passaram os informes e se encaminharam para o local. Lá, o IFPE informou que os ônibus que possui já estavam reservados nas datas do Encontro Nacional, e que não havia possibilidade de fornecer nenhum veículo. A Comissão do IFPE então voltou para a ocupação e foi dissolvida. No mesmo período, a comissão de alimentação foi ao mercado, voltou e preparou sanduíches para todos.

A comissão de mobilização, a todo vapor, conseguiu trazer mais de 10 estudantes para participar da ocupação. O que antes eram 20, já passavam dos 30. Os demais estudantes, após a leitura, discutiram os textos. Durante o debate, uma estudante denunciou a sagrada aliança de Luiz Inácio e demais presidentes oportunistas da América Latina com o imperialismo ianque (EUA) para combater os movimentos populares e revolucionários em luta no continente, mascarado de “combate ao narcoterrorismo”. Outro estudante afirmou que “as contrarreformas do MEC na pedagogia, como a Base Nacional Curricular – Formação de Professores (BNC-FP) transforma o professor num dador de aula, para fazer dos seus alunos apertadores de parafuso através da aplicação do “Novo” Ensino Médio”. 

Após o estudo e o almoço, os estudantes então gravaram um vídeo em solidariedade estudantes da Universidade de São Paulo (USP), denunciando o reitor Marcos Garcia, que voltou atrás após prometer um ônibus para a ida da delegação paulista para o 43º ENEPe.

Em dado momento, o vice-reitor Moacyr de Araújo apareceu na reitoria e conversou, brevemente, com os estudantes, que bateram novamente na tecla do ônibus para o ENEPe. Moacyr prometeu pressionar o reitor sobre o assunto.

Logo depois, Fernando do Nascimento voltou do almoço e se reuniu novamente com os estudantes. O chefe do gabinete informou que conseguiu contatar o setor de transportes do Campus Agreste e que o micro-ônibus, mesmo podendo quebrar no caminho, estava disponível para a reserva. Os estudantes então aceitaram a proposta, mas exigiram uma nova reunião para tratar do assunto. 

Vitoriosos, os estudantes então realizaram a desocupação. Desfraldaram suas bandeiras de luta e abriram uma faixa com o título do Encontro Nacional. Para informar a toda a juventude brasileira que conseguiram obrigar a burocracia universitária a servir ao povo, gravaram um vídeo propagandeando sua vitória. Atrás da faixa, estavam lá, as bandeiras da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), da Heroica Resistência Nacional Palestina, do Movimento Feminino Popular (MFP), do Coletivo Mangue Vermelho e do Coletivo Aurora Democrática.

A juventude combatente, invicta, voltou então marchando e entoando canções revolucionárias a plenos pulmões. Todos que passavam na rua paravam para escutar que os estudantes numa manhã de sol radiante tinham nas mãos o opressor e que era seu desejo seguir lutando (trecho de Bella Ciao).  

Que fique claro, a conquista não surgiu do nada. Se dá em meio a intensas mobilizações, como a ocupação da reitoria da UFPE em 2025, onde conseguiram conquistar a ida para o 26º Fórum Nacional das Entidades de Pedagogia (FoNEPe), a luta pela paridade, as manifestações internacionalistas que estremeceram Recife e tantas outras. Todos estão cientes que a juventude combatente do nordeste está disposta a tudo, não teme ser cortada em mil pedaços e se atreve despedaçar o imperador. 

Obrigar a burocracia universitária a servir ao povo!

Ir ao combate sem temer!
Ousar lutar, ousar vencer!

Rumo ao 43º ENEPe!


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