No dia 19 de Março, a Frente em Defesa das Licenciaturas e a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR) realizaram um Seminário em Defesa das Licenciaturas no campus Rebouças da UFPR, em Curitiba-PR, algumas componentes da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) e Executiva Paranaense de Estudantes de Pedagogia (ExPEPe) estiveram presentes e interviram contundentemente a favor de Ensino, Pesquisa e Gestão na formação pedagógica e tratando de que apenas a mobilização é capaz de barrar a resolução Nº 04/2024!
O evento, que ocorreu durante o dia todo, teve duas mesas: uma para tratar dos cenários da formação de professores no Brasil, intitulada “Cenários da formação de professores no Brasil -2015-2025”, com a participação da professora Márcia Ângela Aguiar da Universidade Federal do Pernambuco e outra para tratar da Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) n° 04/2024, intitulada “Reformulação das licenciaturas segundo a resolução CNE 04/2024” que contou com a participação da professora Gisele Masson da Universidade Estadual de Maringá e o professor Heleno Araújo da Universidade Federal do Pernambuco (um conselheiro do CNE), além da coordenadoria do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID).
A postura dos professores e estudantes presentes era em favor do ensino presencial, tratando das debilidades da resolução e tratando dos pormenores burocráticos que podem vir a ser futuros problemas para os discentes de Pedagogia e Licenciaturas. A exemplo disso, porcentagens de ensino híbrido, cargas horárias de disciplinas teóricas e etc. Além disso, todos fizeram coro com a necessidade de defender uma formação de qualidade e a luta em defesa de um ensino público e gratuito.
Na mesa sobre a resolução 04/2024, a presidente da ExNEPe, Ana Caroline em sua intervenção demarcou como a Resolução 04/2024 ataca a autonomia universitária e que carrega em si uma lógica pragmatista de formação para as licenciaturas, expresso através dos estágios a serem realizados desde o primeiro ano e da curricularização da extensão. Além disso, foi denunciado essas novas articulações do CNE por querer impor carga horária em EaD nas licenciaturas que são presenciais, apontando que esta modalidade foi a principal via do avanço da privatização no ensino superior. Outro elemento ressaltado foi que as reformulações curriculares em andamento correspondem aos ditames do Banco Mundial para a educação brasileira, demonstrando a dominação do imperialismo ianque nas orientações para formação dos professores. Por fim, ressaltou-se a necessidade de lutar pela revogação imediata da resolução 04/2024 e o caminho da luta combativa.
A representante da ExPEPe, Eduarda, reforçou as condições precárias de trabalho docente, a forma como o adoecimento se expressa contundentemente no dia a dia dos professores e o quanto o alinhamento com a BNCC e a diminuição das disciplinas mais teóricas junto a este praticismo tira a qualidade da associação teoria-prática. Para além disso, num chamado à ação, foi explicitado que a Resolução 02/2019 só foi barrada no caminho da luta, através do alinhamento dos profissionais da educação, mas contundentemente o movimento estudantil realizou ocupações e se apropriou da importância de cobrar o que se tem por direito!
Outra companheira do curso de Pedagogia, que também compõe a ExPEPe ressaltou com preocupação os caminhos que as reformulações têm seguido que desconsideram a realidade dos estudantes que são trabalhadores e aproveitou para denunciar a existência de uma minuta de resolução da UFPR que propõe a imposição de carga horária em EaD para cursos presenciais da UFPR.


Durante todo o evento foi organizado uma banca de vendas com diferentes produtos (adesivos, cadernos artesanais, bottons, ecobags, etc) como forma de autossustentação da entidade. Foi aproveitado o momento de grande circulação de entidades e personalidades democráticas e progressistas do meio acadêmico, para realizar a divulgação do Tribunal Popular e a Missão de Solidariedade em Rondônia que a ExNEPe faria parte.




O evento, de modo geral, serviu para denunciar os ataques aos cursos de licenciaturas e pavimentar um caminho de unificação dos cursos para defender uma formação científica, valorização da profissão docente, ensino público, gratuito e a serviço do povo.
LICENCIATURA É UNIÃO NÃO DEIXA O MEC ACABAR COM A EDUCAÇÃO!
REVOGAÇÃO IMEDIATA DA RESOLUÇÃO 04/2024!
SOU PEDAGOGO, SOU CIENTISTA, E NÃO ACEITO O CAMINHO IMOBILISTA!
