Viva as greves de ocupação na USP e os 10 anos do levante estudantil no Brasil! Fora PM da USP!

A USP está ocupada por toda a parte! Essa é a notícia do movimento estudantil que mais reverbera por todo o país desde o dia 14 de abril, quando em diversos campus da USP os estudantes decidiram enfrentar a burocracia universitária, a reação e os oportunistas e ocupar suas universidades contra a maldita minuta do “termo de permissão de uso”, grave ataque a democracia universitária e a liberdade de organização estudantil. Esse documento estabelece a obrigatoriedade de que toda entidade estudantil preste contas do que faz dentro do espaço da universidade e que pague as contas de manutenção (água e luz), sob pena de expulsão do espaço em 30 dias caso não cumpra com o rito reacionário.

Os estudantes decidiram enfrentar com contundência essa medida criminosa e acrescentar diversas outras reivindicações que tem revoltado a massa estudantil, como a situação do RU, a ausência de espaços de organização estudantil, o transporte, entre outras.

É magnífico que cerca de dez anos após a onda de ocupações secundaristas e universitárias que chacoalhou o país, os estudantes sigam aplicando a vitoriosa tática de greve de ocupação. São dez anos desde que o movimento estudantil, independente e combativo definiu essa tática como poderosa arma de combate à precarização e sucateamento das universidades frente às greves de pijamas organizadas pelos oportunistas. Desde então, são inúmeras as vitórias conquistadas de Norte a Sul do país, aplicadas por diferentes gerações de jovens secundaristas e universitários, resultando em funcionamento de Restaurantes Universitários, reformas estruturais, conquista de transportes, bolsas de permanência estudantil, creches e muitas outras demandas, mostrando que só através da luta e não da conciliação é possível vencer. Temos muito orgulho da juventude combativa do nosso país, que sob a consigna de “Ocupar e Resistir, Lutar pra Garantir!” tem agitado incansavelmente as universidades brasileiras com a gana necessária para enfrentar as políticas privatistas dos sucessivos governos e as burocracias universitárias, varrendo o imobilismo.

Saudamos calorosamente os estudantes da USP por essa decisão e declaramos apoio total e irrestrito à sua ofensiva, especialmente àqueles que têm sustentado as mais combativas ações. Na USP Ribeirão, os estudantes atropelaram a direção do DCE imobilista e ocuparam o prédio 16 após persistirem e enfrentarem a burocracia universitária e os caguetas que informaram à direção do campus a data e local da ocupação. Essa tem sido a tendência das ocupações: os estudantes mais combativos tomam a dianteira e os oportunistas tentam, junto à reação, sabotar a luta.

Na EACH, algo grave aconteceu: após a ocupação do prédio da administração, mais de 10 viaturas da PM apareceram para realizar a desocupação, autorizadas pela burocracia universitária e, pasmem, guiadas diretamente pelo Movimento Correnteza, que se apressou a tentar identificar os estudantes que, de forma precavida, estavam com os rostos cobertos. Os estudantes se retiraram altivamente puxando palavras de ordem, para logo em seguida dispersarem com a promessa de que seguirão participando das atividades da greve de ocupação no campus.

Estamos em 2026, mas parece 1964. A burocracia universitária da USP, ao tomar essa atitude, remonta os tempos de regime militar, onde o movimento estudantil vivia sob a

proibição de organizar-se e de manter as suas entidades em funcionamento. Como uma instituição dita plural e livre permite que uma das instituições mais assassinas do país ameace retirar os estudantes do prédio da universidade? Tudo isso mostra que em termos de democracia universitária, pouco avançamos e as poucas garantias legais que temos de se organizar estão as bordas de serem retiradas. Os estudantes, trabalhadores, professores e intelectuais honestos não podem legitimar esse tipo de política na universidade de forma alguma, pois são elas que vão pouco a pouco criando o caldo de cultura reacionária necessário à reação para que, cedo ou tarde, entrem com seus tanques na universidade, assim como fizeram no passado. É isso que a burocracia da USP quer? Nós não! Jamais permitiremos que esse tipo de prática se legitime e declaramos nosso total apoio aos estudantes que participaram da ocupação, incentivando que onde houver presença da polícia na universidade, que seja rechaçada pelo movimento estudantil e por toda a comunidade acadêmica.

Além do mais, é preciso dizer: é um tanto quanto decepcionante ver que professores e funcionários ditos “de esquerda” tenham chamado a polícia para os estudantes, mas pior ainda é ver que há estudantes organizados e ditos “revolucionários” envolvidos diretamente no apoio à intervenção policial. Que tipo de movimento estudantil é esse que se lança a criminalizar os próprios estudantes? A ExNEPe repudia totalmente a atitude vergonhosa do DCE da USP e do Movimento Correnteza que o dirige por ter se juntado a PM na repressão aos estudantes ocupados. Sejam quais forem as divergências que hajam no movimento estudantil, jamais, repita-se, JAMAIS e sob hipótese alguma nos juntaremos àqueles que assassinam diariamente o nosso povo nas favelas e no campo para reprimir quem quer que seja. Os crimes que cometem contra o povo pobre do nosso país são terríveis o bastante para tomarmos essa óbvia posição, pois quem persegue, tortura e mata as pessoas do povo NUNCA contará com nosso apoio para nada. É patético supor que alguma organização estudantil não tem isso como princípio, pior ainda é saber que não só relevam essas barbaridades como se juntam a polícia para reprimir e prender os estudantes.

É preciso que todo o movimento popular cerre fileiras no apoio às já vitoriosas ocupações da USP e rechace a presença da polícia na universidade. Se queremos uma universidade pública, gratuita, democrática e a serviço do povo, devemos imediatamente nos somar e apoiar a mobilização estudantil, pelo fim da minuta reacionária e contra a precarização e privatização das universidades. Que os reacionários tremam frente ao levantamento dos estudantes da USP – e que os oportunistas e covardes saiam da frente, porque serão varridos pela massa estudantil!

Viva os 10 anos das ocupações universitárias e secundaristas!

Viva a Greve de Ocupação da USP Fora PM da USP!

Viva o Movimento Estudantil Combativo e Independente!

18 de abril de 2026,

ExNEPe.

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