[MS] Viva a vitoriosa ocupação da incubadora da UFGD (antiga cantina) contra o fechamento do RU!

No início desse ano os estudantes da UFGD foram surpreendidos com o anúncio de que o valor do RU aumentaria de 3,83 para 5,50 R$ (para alunos de perfil socioeconômico, subiria de 3,23 para 4,00 e, para a pós-graduação, passou de R$4,00 para R$6,00). Diferente da ladainha repetida pela PROAE (Pró-reitoria de Assuntos Estudantis) de que fariam de tudo para amortizar o aumento do preço da refeição com a mudança de contrato e empresa, em verdade, se mostrou que a sua posição era de que seria aceitável esse valor absurdo e os estudantes podiam pagar a conta.

A resposta do DCE da UFGD gestão “caminho da luta” foi imediata. No mesmo momento declarou que os estudantes não aceitariam o aumento e, assim, começou a mobilização contra o descaso da reitoria. O rechaço dos estudantes foi generalizado. Diversos relatos apresentavam como que o aumento impactaria na permanência dos estudantes e que não conseguiriam continuar se alimentando com esse valor.

Dessa forma, mesmo no período de férias e com muitos estudantes tendo voltado para suas casas, foi realizado uma combativa manifestação na reitoria para cobrar a redução do valor. O ato que contou com mais de 30 estudantes com faixas e cartazes exigia uma resposta do reitor. Este, saindo depois da pressão dos estudantes afirmou a pérola de que “não acreditava que o aumento afetaria a evasão da universidade”. Ignorando que a universidade passa por um processo grande de evasão, perdendo milhares de alunos nos últimos anos, sendo umas das principais causas, a dificuldade de permanência dos alunos, questão que envolve dentre outras coisas, haver alimentação há um preço acessível no RU.

Diante da manifestação se conseguiu uma reunião com a reitoria. Porém, esta se manteve de forma intransigente em relação a pauta, mostrando que os estudantes não são prioridade dentro da sua política e orçamento da universidade. Os estudantes encerraram afirmando que a mobilização continuaria até o preço abaixar.

Nessa mesma reunião, os estudantes foram informados de mais um ataque ao ensino público. O governo do oportunista Luis Inácio havia realizado mais um corte na Educação, de 310 milhões na verba das universidades federais, 398 mil só na UFGD. Somados ao corte no começo de ano também do governo, de 200 mil, esse ano já foram retirados aproximadamente 600 mil reais da UFGD. Diante dessa informação, foi denunciado a postura conivente da reitoria de aceitar e não criticar o corte (como fez quando o governo Bolsonaro cortou 300 milhões das universidades federais, tendo a reitoria soltado uma nota na ocasião e endossado a mobilização dos estudantes),mas sim tentar justificá-lo.

Dessa forma, em vez de retroceder, ao contrário, os estudantes apontaram com mais força a necessidade de mobilização, ligando a situação do RU com o projeto de cortes e precarização que a UFGD e demais universidades pelo Brasil está passando, apontando a luta combativa e independente como a única forma de barrar esse processo de sucateamento da universidade.

Assim, desde o primeiro dia de volta às aulas, os estudantes começaram uma grande mobilização com passagens em turma, panfletagem e colagens de cartazes. No dia 20 de Março, foi realizada uma Assembleia Geral dos estudantes puxada pelo DCE. Na assembleia, que contou com estudantes de diversos cursos, se discutiu o absurdo que o aumento representava e a necessidade de elevar a mobilização para se conseguir reduzir o preço. Assim, foi aprovado um calendário de lutas para os próximos dias, que já começou no dia seguinte, com uma exitosa atividade de confecção de cartazes espalhando a pauta por toda a universidade e agitando em torno da questão.

A ocupação da incubadora da UFGD (antiga cantina)

Em meio ao aumento do RU, a reitoria havia anunciado outro ataque aos estudantes: o RU ficaria fechado por 10 dias bem no momento de volta às aulas e sem nenhuma contrapartida da universidade para a alimentação dos estudantes nesse período! A alegação para isso é da necessidade de reforma pro graves problema na cozinha do RU. Nessa questão, em primeiro lugar a culpa é da reitoria por tal situação pois ou sabiam e deveriam ter se organizado para resolver antes (nas férias por exemplo) e não na volta às aulas, ou não sabiam e é uma negligência com a fiscalização sobre o funcionamento da cozinha que prepara a comida dos estudantes. Além disso, o principal é que o DCE apresentou diversas propostas para manter a alimentação dos estudantes nesse período, mas foi ignorado pela reitoria que optou por lavar as mãos e deixar os estudantes se virarem 10 dias sem RU, colocando a burocracia acima do bem-estar dos alunos.

Fato importante é que a universidade fica a 15 quilômetros do centro da cidade, em meio ao latifúndio e sem nada em volta pra comer, causando grandes dificuldade de se alimentar em outros locais ou em casa. Assim, choveram relatos de como essa medida afetaria drasticamente os estudantes, que muitos estavam contando com o RU para se alimentarem pois não tinham dinheiro para comprar alimentação, ou devido a rotina de trabalho e afazeres não tinham tempo para preparar comida.

Dessa maneira, o DCE, a partir da organização da assembleia estudantil decidiu por ocupar a incubadora (antiga cantina) da UFGD no dia 22 de Março e se apoiando na massa de estudantes e professores que fizeram doações, conseguiu servir refeições (almoço e janta) durante todo o período até a reabertura do RU uma semana depois. Assim, os estudantes seguindo o caminho da luta combativa e independente ocuparam o prédio da incubadora tomando sua estrutura para servir aos interesses dos estudantes.

A ocupação foi vitoriosíssima, servindo centenas de estudantes, principalmente os que eram impactados com a falta de RU, e conseguindo, assim, mitigar os impactos da negligência da reitoria. Evoluindo de um miojão solidário, até uma macarronada, com direito a salada, fruta e suco. Nesse período, os técnicos administrativos que se juntaram a greve nacional da categoria desde o dia 11 de Março, expressando sua solidariedade aos estudantes, fizeram um café da manhã para eles, além de doarem alimentos.

Foram vários os relatos de estudantes parabenizando a iniciativa, elogiando a comida e denunciando a absurda posição da reitoria. Em um dos dias, foi passado nos blocos de aula servindo os estudantes e passando nas turmas denunciando o descaso da reitoria e necessidade dos estudantes lutarem por um RU acessível e contra o corte de verbas. Além dos estudantes, também foram servidos os terceirizados da universidade e pedreiros que trabalhavam em obras, que responderam saudando o ato e dizendo que tem sua alimentação negligenciada pela universidade.

Com a ocupação do prédio da incubadora da UFGD os estudantes mostraram o que a organização séria e luta combativa é capaz de fazer. Enquanto a reitoria apresentava apenas desculpas e se dizia impossível realizar qualquer coisa, os estudantes mostraram que era sim possível, sendo uma questão de disposição e interesse.

Na rotina diária, todos os dias a ocupação cozinhava e servia refeições aos estudantes, além de limpar e organizar todo o espaço e utensílios, demonstrando o nível de organização e seriedade da mobilização, entregando o prédio mais limpo e organizado que antes.

Após a ocupação vitoriosa da incubadora, a luta continua. Apesar da volta do funcionamento do RU, os estudantes seguem mobilizados contra o aumento abusivo e afirmam que só pararão quando o valor abaixar e que RU acessível é um direito dos estudantes!

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