A luta em defesa do direito de ensinar e aprender está tomando conta de todo o país. Mesmo com o demagógico anúncio de “suspensão” do calendário de implementação do Novo Ensino Médio (NEM), por parte do governo federal, os estudantes e professores não cruzaram os braços, mantiveram-se ativos na luta pela revogação imediata do NEM demarcando contra a falsa consulta pública e pela construção de movimentos populares combativos em todas as escolas e universidades do Brasil. Em Maringá (PR) não foi diferente.
Greve dos professores!
No contexto da greve docente que já tomou conta de todas as sete universidades estaduais do Paraná, reivindicando o reajuste salarial dos professores, que sofre uma defasagem de 42%, importantes mobilizações têm sido realizadas na cidade de Maringá, norte do estado. A greve, decretada pelos professores no dia 15 de maio, foi debatida amplamente entre os estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O DCE, representado pela gestão UEM Presente, instruiu aos centros acadêmicos que realizassem assembleias de seus cursos e emitiu uma nota com seu posicionamento, na qual declara, entre outras coisas que:
“… a precarização do trabalho docente é apenas parte do longo processo de privatização do ensino superior público, especialmente no Paraná. Por isso, defendemos que a greve abranja a defesa da educação pública, gratuita e científica em sua integralidade, e é papel do movimento estudantil ser a vanguarda da luta por essas bandeiras.
Assim, defendemos que seja pautada também a Revogação do Novo Ensino Médio (NEM), contrarreforma reacionária e anticientífica que não somente golpeia o direito de ensinar e aprender de professores e estudantes secundaristas, mas que também afeta a formação em diversas licenciaturas, pois que estas são coagidas a adaptarem seus currículos para atender às imposições do Estado, como fica patente na imposição da Base Nacional Comum de Formação de Professores (BNC-FP), a qual retira a autonomia pedagógica da universidade, especialmente de seus cursos de licenciatura e Pedagogia.
[…]
Defendemos que a greve ocupe os espaços da universidade, realizando atividades diversas, que deem vida à nossa instituição, mostrando o que é produzido aqui dentro, realizando atividades de extensão, aulas públicas etc., mobilizando a comunidade acadêmica e externa em defesa da educação pública e contribuindo para a formação dos estudantes, tudo a serviço da conquista de nossas reivindicações.”
Para ler a nota na íntegra:
Realizadas as assembleias de curso, o DCE conduziu uma assembleia de todo o corpo discente na quarta-feira, 24, na qual a greve foi debatida, o posicionamento da gestão foi ratificado pelo conjunto dos estudantes e, mais importante, foi conformado o Comitê Estudantil de Apoio à Greve, responsável por convocar atividades que ocupem os espaços da universidade em meio à greve. Um dos aspectos centrais da posição do DCE foi unir a pauta docente pelo reajuste salarial à defesa do ensino público como um todo, apontando contra a Lei Geral das Universidades (LGU) e contra o NEM.

Formação do comitê contra o NEM e discussão do boletim 008 da ExNEPe!
No dia seguinte, 25, ocorreu um importante evento de debate do Novo Ensino Médio, realizado pelo Espaço Marx de Maringá, com participação de professores e intelectuais da área da educação. O evento contou com a participação de mais de 100 pessoas, entre estudantes, professores da educação básica e superior bem como ativistas de movimentos sociais. Durante a discussão os organizadores convocaram todos os presentes para a criação de um comitê em Maringá pela revogação do NEM, seguindo o exemplo de várias iniciativas similares que tem se espalhado pelo Brasil, principalmente a partir da conformação do Comitê Revoga Novo Ensino Médio do Paraná, fundado em fevereiro na cidade de Curitiba. No sábado, estudantes e professores reuniram-se na UEM e fundaram oficialmente o comitê maringaense. Entre seus encaminhamentos está a realização de panfletagens em escolas importantes da região, bem como a organização da aula magna da universidade com o tema da revogação.

Mais tarde neste mesmo dia, o Centro Acadêmico de Pedagogia (CAPed) da UEM, se reuniu na universidade para realizar o estudo do Boletim nº008 da ExNEPe, o qual trata da revogação do NEM. Mesmo com a universidade em férias muitos estudantes universitários e um secundarista participaram. Os estudantes demarcaram a importância de elevar a luta combativa contra esta medida antipovo através da greve de ocupação e encaminharam os preparativos da mobilização para o 25º FoNEPe.

Panfletagem pela revogação do NEM!
Na quinta-feira, 01 de junho, estudantes da UEM que compõem o Comitê Estudantil de Apoio à Greve dos Professores, bem como o Comitê Maringaense pela Revogação do NEM, realizaram uma vitoriosa atividade de panfletagem no colégio estadual Gastão Vidigal. O panfleto escrito pelos estudantes denunciava o caráter antipovo do Novo Ensino Médio, suas falácias anticiêntificas e seu objetivo expressamente privatista, convocando todos os estudantes, professores e pais a se organizarem para combate-lo com unhas e dentes. Mais de 500 panfletos foram distribuídos e os alunos e pais presentes prestaram grande apoio à mobilização.



Nos próximos dias mais reuniões, panfletagens e cinedebates tratando desses temas serão organizados em toda a cidade. A UEM será a próxima sede do 42º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe), e uma vez mais demonstra que o caminho para a juventude brasileira vencer as lutas em defesa da educação reside em sua organização e combatividade.
ABAIXO O NOVO ENSINO MÉDIO!
PELO DIREITO DE ENSINAR E APRENDER!
OCUPAR TODAS AS ESCOLAS E UNIVERSIDADES!