Nos dias 9, 10 e 11 de setembro, o Campus José Ribeiro Filho da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho, será palco de uma importante articulação do movimento estudantil rondoniense: a realização unificada do VIII Encontro Rondoniense de Estudantes de Pedagogia (EROEPe) e do I Encontro Rondoniense de Estudantes de Licenciaturas. Convocado pela Executiva Rondoniense de Estudantes de Pedagogia (ExROEPe) e construído em estreita unidade com diversos Centros Acadêmicos, representações discentes e estudantes das licenciaturas do estado, o encontro assume como tema central “Em defesa do currículo científico na Pedagogia e Licenciaturas!”, erguendo uma firme trincheira de resistência contra a precarização das universidades públicas, os cortes de verbas e as investidas privatistas que ameaçam diretamente o futuro da educação básica e superior em Rondônia e no Brasil. A integração entre a Pedagogia e as demais licenciaturas tem como objetivo principal unificar a formação científica específica de cada área com a formação docente, combatendo de frente o esvaziamento curricular e o tecnicismo pragmático que as políticas do MEC/Banco Mundial tentam impor à juventude.
Essa mobilização estudantil não ocorre de forma isolada, mas conecta-se profundamente à realidade concreta da luta dos trabalhadores em educação de Rondônia. Em diferentes municípios, professores e demais profissionais da educação têm se mobilizado pelo cumprimento do piso salarial, por reajustes, melhores condições de trabalho e valorização profissional. Em Buritis, a categoria realizou uma greve entre os dias 17 e 19 de agosto de 2026; em Porto Velho, os profissionais aprovaram a deflagração de greve em agosto; e, em Cacoal, foram realizadas paralisações e atos públicos ao longo do ano, culminando na aprovação de uma greve por tempo indeterminado a partir de 8 de setembro. Essas mobilizações demonstram a força da organização dos trabalhadores e reforçam a necessidade de unificar a luta em defesa da educação pública.
O movimento estudantil e as entidades de base manifestam seu apoio às lutas dos trabalhadores da educação e repudiam a postura demagógica do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, que ofereceu uma proposta fajuta de apenas R$ 100 de reajuste para os técnicos e adotou um discurso de criminalização da greve, classificando-a como “ilegal” e ameaçando judicializá-la antes mesmo de seu início oficial. O Diretório Central dos Estudantes da UNIR (DCE/UNIR – Gestão Flor de Corumbiara), junto com a Executiva Rondoniense, tem contribuído ativamente para o apoio a essa mobilização, denunciando a propaganda oficial da prefeitura,que utiliza a média do IDEB — que subiu de forma tímida de 5,3 em 2023 para 5,7 em 2025 — para apresentar uma falsa transformação educacional, enquanto as escolas locais sofrem com o sucateamento diário. O apoio ativo do DCE/UNIR e das entidades de base demonstra que estudantes e trabalhadores da educação enfrentam o mesmo inimigo comum e que a defesa da educação pública e gratuita só se consolida por meio da luta unificada e independente, denunciando episódios como a violenta repressão policial sofrida pelos docentes em 19 de agosto de 2025, no prédio do CPA, quando entoavam, em resistência, “A SEDUC é nossa!”.
Neste cenário de ataques, a luta contra o esvaziamento científico da formação docente volta-se contra a Resolução CNE/CP nº 4/2024, que institui novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior de profissionais do magistério e representa, para o movimento estudantil, um grave ataque à formação em Pedagogia e nas demais licenciaturas. A resolução aprofunda uma concepção pragmática e tecnicista da formação, subordinando o currículo às demandas imediatas do mercado e às competências e habilidades previstas na BNCC, em detrimento de uma sólida formação teórica, científica e crítica.
Nesse sentido, o encontro defenderá a revogação imediata da Resolução CNE/CP nº 4/2024, compreendendo-a como parte de um projeto mais amplo de submissão da formação universitária aos interesses do capital e do imperialismo. Em contraponto, os estudantes defendem uma formação unitária do pedagogo, que assegure a indissociabilidade entre docência, gestão e pesquisa, bem como a participação efetiva dos estudantes, professores e comunidades acadêmicas nas reformulações curriculares de cada universidade. A defesa do currículo científico significa, portanto, lutar por uma formação que possibilite compreender criticamente a realidade e dominar os conhecimentos científicos historicamente produzidos pela humanidade, e não apenas preparar trabalhadores para executar competências previamente determinadas.
A luta em defesa da educação pública também está diretamente ligada à defesa da liberdade de organização e manifestação dentro das escolas e universidades. Por isso, o encontro incorpora a luta pela desmilitarização completa das escolas públicas e se posiciona contra a presença e a atuação policial como mecanismo de controle político e disciplinar nesses espaços. Da mesma forma, defende o direito à livre associação, reunião e manifestação nas instituições de ensino e se coloca contra qualquer forma de perseguição, criminalização ou repressão política aos estudantes que se organizam e lutam em defesa de seus direitos e da educação pública.
Em paralelo, o encontro se posiciona pela revogação imediata do Novo Ensino Médio, compreendendo a atual contrarreforma como parte de um projeto de esvaziamento científico da educação básica, precarização do trabalho docente e avanço da privatização. Mesmo após as alterações realizadas na legislação, permanecem mecanismos que reduzem o espaço destinado à formação científica e mantêm a fragmentação curricular por meio dos itinerários formativos, além da vinculação à BNCC e da ênfase em competências e habilidades em detrimento do acesso amplo ao conhecimento produzido pela humanidade.
Para o movimento estudantil, disciplinas como Filosofia, História e Sociologia, assim como as demais áreas do conhecimento científico, não podem ser substituídas por componentes esvaziados de conteúdo, como empreendedorismo, Projeto de Vida e outras propostas de caráter pragmático. A redução do acesso aos conhecimentos científicos contribui para uma formação superficial, dificultando que os estudantes compreendam a sociedade em que vivem e conheçam a história das lutas sociais e dos direitos conquistados pelos trabalhadores. O problema da educação básica não está no conhecimento científico que chega às escolas, mas na falta de investimentos, na precarização das condições de ensino, na ausência de infraestrutura adequada e na desvalorização dos profissionais da educação.
O encontro, portanto, reafirma a necessidade de garantir o direito de ensinar, estudar e aprender, com acesso ao conhecimento científico, professores valorizados e escolas públicas com condições adequadas de funcionamento. Defende-se a revogação do Novo Ensino Médio e o combate às formas de privatização e mercantilização da educação, incluindo as parcerias público-privadas e a transformação da formação dos jovens em treinamento precarizado para o mercado de trabalho. A construção desse evento representativo conta com o engajamento de uma ampla comissão organizadora, composta pela ExROEPe, pelo DCE/UNIR e pelos Centros Acadêmicos de Pedagogia (CAPED/UNIR), Filosofia (CAFA), História (CAHIS), Ciências Sociais (CACS) e Química (CAQUI), além de representantes discentes de diversos campi, como Guajará-Mirim, Ariquemes e Ji-Paraná.
Conforme as orientações nacionais da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), o cronograma do encontro promoverá discussões em mesas sobre a conjuntura política nacional e internacional, grupos de debate, manifestações de cultura popular e uma plenária final para a formulação do plano de lutas do estado. Com os lemas “Pedagogia é união, não deixa o MEC acabar com a educação!”, “Pedagogia é pra lutar, o imobilismo não vai nos segurar!” e “Pelo direito de ensinar, estudar e aprender!”, estudantes e docentes democráticos de Rondônia marcham juntos pela revogação da Resolução CNE/CP nº 4/2024 e do Novo Ensino Médio, pela desmilitarização das escolas e universidades, pela valorização dos trabalhadores em educação e, sobretudo, em defesa do currículo científico na Pedagogia e nas Licenciaturas e de uma educação pública, gratuita, científica e que sirva ao Povo.
VIVA O 8º ENCONTRO RONDONIENSE DE ESTUDANTES DE PEDAGOGIA!
VIVA I ENCONTRO DE ESTUDANTES DE LICENCIATURAS DE RONDÔNIA!
