[PR] Após descobrirem irregularidades contratuais, estagiárias da prefeitura de Laranjeiras do Sul reivindicam aumento das bolsas

No dia 3 de setembro de 2025, as estagiárias da área da educação da Prefeitura de Laranjeiras do Sul realizaram uma importante mobilização pelo aumento das bolsas. A reivindicação, levantada desde o início do ano, ganhou ainda mais força após a denúncia de um contrato irregular em que uma estagiária recebia o dobro do valor da bolsa, sem qualquer justificativa para a regalia.

Em reunião com as estagiárias, tanto a secretária de Educação quanto o promotor de justiça da prefeitura alegaram desconhecer a irregularidade, embora os trâmites burocráticos tenham passado por seus cargos para aprovação. Na tentativa de abafar a revolta, recorreram às velhas práticas oportunistas: promessas vazias e manobras para enrolar as trabalhadoras, sem apresentar qualquer solução concreta. Mas não conseguiram enganá-las. As estagiárias, firmes e conscientes, denunciaram a violação de seus direitos.

Convenientemente, o contrato irregular “desapareceu” da mesa da diretora, segundo ela própria. Um boletim de ocorrência foi aberto, com o apoio do promotor, que chegou apresentou a situação como furto, deixando as estagiárias desconfortáveis com o tom usado, que, segundo elas, soou como uma acusação. Para piorar, os representantes da prefeitura, que vivem repetindo o discurso de que “estão sempre de portas abertas”, desprezaram a mobilização, criticando as estagiárias por terem deixado o trabalho para lutar por seus direitos, como se esta luta fosse algo sem importância. Não satisfeitos, ainda as chamaram de arrogantes por apresentarem a Lei de Licitações, que permite a alteração dos contratos e o aumento das bolsas.

A “solução” apresentada pelos burocratas foi o cancelamento do contrato irregular, com a demissão da bolsista envolvida, e o adiamento do aumento das bolsas, prometido, mediante oficialização individual de cada estagiária, talvez, apenas para o ano seguinte. A proposta foi imediatamente rechaçada. As estagiárias não aceitaram migalhas e exigiram que a secretária de Educação se comprometesse a resolver a demanda de forma imediata.

A resposta da categoria foi de combatividade. No mesmo dia, em assembleia, aprovaram por unanimidade um plano de ação que incluiu a denúncia ao Ministério Público pelas irregularidades, levantando suspeitas de corrupção e nepotismo. Além disso, organizaram novas mobilizações, com dezenas de estagiários, preparando panfletagens para dialogar com pais e professores, buscando unificar a luta. A categoria, consciente de sua força, já discute a possibilidade de greve. Como afirmou uma diretora, em caráter anônimo: “Se vocês (estagiárias) não vierem amanhã, a escola não abre”. Uma declaração que revela a centralidade e a importância do trabalho das estagiárias no funcionamento das escolas.

A luta ganhou ainda mais fôlego com o apoio da Executiva Paranaense e Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExPEPe e ExNEPe) e do Diretório Central dos Estudantes da UFFS – Campus Laranjeiras do Sul. Esse apoio se explica não apenas porque a maioria das estagiárias são estudantes de Pedagogia e atuam diretamente na área da educação, mas também pela justeza da revolta e pelo compromisso histórico do movimento estudantil de estar ao lado do povo em suas reivindicações.

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