Na última segunda-feira, 30 de junho, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, em sua gerência de turno do reacionário Romeu Zema, enviou um memorando-circular para mais de 700 escolas estaduais, determinando que as direções convoquem, até o dia 18 de julho, assembleias para que as comunidades escolares decidam sobre a adesão ao modelo cívico-militar.
O que está em curso é uma manobra suja, feita de forma acelerada e silenciosa, justamente nas últimas semanas do período letivo, quando grande parte dos estudantes já está ausente das aulas. O objetivo é claro, passar por cima da organização coletiva, calar a comunidade escolar e enfiar goela abaixo um projeto que só serve para maquiar a destruição da educação pública.
Imediatamente vários setores progressistas, combativos e classistas, se organizaram para barrar a implementação desse modelo reacionário e anti-povo. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação convocou Assembleia Extraordinária para deliberação referente à questão, e convocou paralisação de 48h para dias 10 e 11 de Julho. Em Juiz de Fora, estudantes e professores do Instituto Estadual de Educação se organizaram contra a militarização das escolas, e conseguiram barrar a entrada do Instituto ao programa de escolas cívico-militares.
Na capital do estado, Belo Horizonte (BH), através de Grêmios Estudantis, os alunos vêm organizando uma grande campanha de denúncia das escolas cívico-militares, demostrando que a solução dos problemas da escola pública não é colocar policiais militares dentro da escola, mas sim aumento de salário dos professores, de mais psicólogos, e outros profissionais para efetivamente os estudantes exercerem o direito a estudar e aprender.
Grandes atividades de agitação e mobilização na região metropolitana!
Em Vespasiano, região metropolitana de BH, foi criada uma Frente contra a Militarização das Escolas Públicas, que realizou uma série de atividades de conscientização dos estudantes, e está lutando para barrar a implementação das escolas cívico-militares na cidade.Seis escolas estaduais da cidade foram escolhidas para serem “consultadas”: EE Machado de Assis, EE Maria da Piedade Fonseca, EE José Gabriel de Oliveira, EE Deputado Renato Azeredo, EE Padré José Senabre, EE Maria das Graças Cruz.
Na EE Machado de Assis, localizada no centro de Vespasiano, em plena campanha eleitoral do Grêmio Estudantil, ambas as chapas presentes no processo se posicionaram contra as escolas cívico-militares. Em todos os debates, as duas chapas explanaram os problemas que as escolas cívico-militares trariam, e não seriam os policiais militares que resolveriam os problemas da escola, mas sim a comunidade escolar. A consulta à comunidade ocorreu no dia 5 de Julho, e com ampla maioria, foi rechaçada a entrada da Escola no programa anti-povo do governo Zema.
Na EE Maria da Piedade Fonseca, a Frente organizou panfletagem denunciando aos alunos a intenção de transformar a escola em cívico-militar. Esta escola está localizada em um bairro periférico da cidade de Vespasiano, o Morro Alto, e o rechaço à presença de policiais militares na escola foi grande. A Frente interviu em uma reunião com os pais e foi bem vista pela comunidade escolar. 100 panfletos foram distribuídos.
Na EE Padre José Senabre, companheiros e companheiras da Frente contra a Militarização da Escola realizaram passagem em salas, oficina de cartazes, e panfletaram 200 cópias de um documento assinado pela Frente. Alguns professores, irritados com a postura altiva dos estudantes, acusaram de baderna, e disseram ter “ideologia política” envolvida no debate.
Além disso, vários companheiros e companheiras participaram da votação contra a entrada escola ao programa de escolas cívico-militares. Na votação, companheiros nossos foram gravados e um dos professores da escola, defensor das escolas cívico-militares, ameaçou chamar a polícia caso insistíssemos para que deletasse o vídeo do seu telefone. Uma bela amostra do que será a “democracia” das escolas cívico-militares. Se você concorda, tudo certo. Se discorda, é polícia pra botar ordem! Por fim, depois de um processo bastante antidemocrático, aligeirado, e com pouco espaço para a discussão, a escola votou favoravelmente à entrada no programa de escolas cívico-militares, mesmo sem grande parte dos estudantes poderem participar da votação. (Apenas estudantes com 16 anos ou mais poderiam votar).
Seguir a luta contra as escolas cívico-militares!
Os estudantes mineiros não abaixarão as cabeças. Iremos seguir mobilizando os estudantes em defesa do direito de estudar e aprender, que precisa passar necessariamente pela democracia para professores, alunos e funcionários! A inclusão de policiais militares nas escolas é um atentado à Escola democrática, além de um desrespeito com os trabalhadores da educação que receberão muito menos do que os policiais, horário de trabalho mais rigoroso (afinal, é a PM que decidirá o horário de trabalho dos policiais), e estes terão somente o papel de “colaborar” com valores disciplinares, morais, e cívicos. Leia-se: punir, vigiar, incomodar e estressar todos aqueles que trabalham todos os dias nas escolas.
Abaixo as escolas cívico-militares!
Escola não é quartel!
Lugar de PM é na rua, não na escola!
Frente Contra a Militarização das escolas públicas.
Contato:
Instagram: @diganao_a_militarizacao_
Telefone: 31 98779-4486








