À convite de um estudante da escola Moara, o Coletivo de Base – Honestino Guimarães (CB-HG) realizou uma palestra no dia 13/11 para os estudantes secundaristas acerca da luta dos povos indígenas no Brasil e em Brasília. Os estudantes e professores tomaram grande interesse pelo debate, convidando o coletivo para realizar mais debates que tenham como base a luta pela terra no Brasil.
Na palestra, os representantes do coletivo trataram a questão indígena tanto do ponto de vista histórico, quanto econômico. Explicaram a origem do Marco Temporal, sua inconstitucionalidade e o ataque que este representa aos povos indígenas, mas também explicaram as fundamentações econômicas por trás deste, sendo impossível a coexistência do latifúndio com a autodeterminação dos povos indígenas.
Uma das representantes do CB-HG, estudante de história, de família indígena e ativista da causa dos povos originários, tratou do histórico de luta dos povos indígenas ao longo dos últimos séculos de latifúndio. Relatou que o velho Estado vê os indígenas como seres indefesos, que devem ser tutelados, enquanto ao contrário, os povos indígenas fazem sua autodefesa e lutam contra invasores e inimigos, de maneira cada dia mais organizada e com objetivos cada vez mais claros e comuns.
Outro representante do coletivo tratou das questões atuais, como a resistência dos Guarani-Kayowá no MS, retratado a fundo pelo AND, além dos Avá-Guarani no PR. Relacionou estas lutas às lutas de camponeses, muitas vezes atacados pelos mesmos bandos armados, como o Invasão Zero, que atacou os camponeses de Barro Branco, PE, e que nenhum estudante conhecia, apesar de suas ligações escusas com o governo federal.
Então, ambos trataram das lutas indígenas no DF, como a luta da aldeia Teko Haw, que desafia a especulação imobiliária da região Noroeste, uma das regiões com o metro quadrado mais caro de Brasília. Assim como da aldeia Ahain Aam, que enfrenta ataques por razões semelhantes.
Por fim, os ativistas responderam aos questionamentos dos estudantes quanto à luta indígena e à luta pela terra. Muitos dos estudantes se interessaram pelo debate, dando suas opiniões em defesa dos povos originários e de sua justa luta. Por parte da direção da escola, houve interesse de convidar novamente o coletivo para poder tratar melhor de temáticas da luta pela terra que apareceram no debate, como a Revolução Agrária.