[SP] Estudantes da USP realizam atos em celebração aos dias 8 de Março – Dia Internacional da Mulher Trabalhadora e 28 de Março – Dia do Estudante Combatente!

No mês de Março, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) se reuniram na Faculdade de Educação (FEUSP) para realizar atos de celebração dos dias 8 de Março – Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, e 28 de Março – Dia do Estudante Combatente. As ações foram organizadas pelo Coletivo Aroeira, em reconhecimento à importância dessas datas históricas de luta do movimento estudantil, das mulheres trabalhadoras, assim como de todos os povos oprimidos no Brasil e mundo afora!

Os dias que antecederam o evento foram marcados pela combatividade e dedicação dos estudantes em organizar e impulsionar as ações realizadas, superando diversos obstáculos: as dificuldades logísticas criadas pela burocracia universitária que tentam impedir os estudantes de colarem material de divulgação na faculdade e dificultam o uso de salas, a retomada da mobilização de estudantes no curto prazo de apenas duas semanas do semestre, e a falta de tempo devido à necessidade das estudantes de estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Mesmo assim, nenhum desses obstáculos foi capaz de abalar o ânimo e vigor dos estudantes de seguir impulsionando a luta combativa e independente na USP! Desde o início do semestre (12/03), foram realizados encontros do coletivo para produção de textos, panfletos e faixas, realização de passagens em sala, arrecadação financeira e debates sobre os temas. No dia 28/03, os estudantes realizaram passagens em sala e distribuição de 250 panfletos na Faculdade de Educação e o Bandejão Central, conversando com a massa estudantil sobre a importância do Dia do Estudante Combatente e a luta contra o criminoso “Novo” Ensino Médio, principal ataque à educação no país atualmente, exaltando a necessidade dos estudantes, principalmente aqueles que são futuros docentes/trabalhadores da educação, de se mobilizarem combativamente para revogar imediatamente esse nefasto projeto privatista que negligencia o acesso à educação e universidade aos estudantes do povo, obrigando-os a ter aulas esvaziadas de conteúdo científico que nada os beneficia! Além disso, foi exaltada a memória de Edson Luís, covardemente assassinado pelos agentes do Regime Militar-Fascista em 28 de março de 1968. Uma estudante em particular se manifestou após a passagem em sala expressando sua emoção pela homenagem, relatando ter participado anteriormente do Cursinho Popular Edson Luís, da FEUSP. A estudante também denunciou as dificuldades de acessibilidade para PCDs dentro da faculdade com muita indignidade, ressaltando a necessidade de mobilização estudantil. Vários professores apresentaram sua concordância com o debate, ressaltando o caráter privatista e podre do NEM, surgindo a ideia de uma mesa de debate sobre o tema para um futuro próximo, que está em construção.

Já nos dias 27, 29 e 30 de Março foram realizadas a distribuição de um total de 300 panfletos e passagens em sala colocando em pauta o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, promovendo debates sobre as duplas e triplas jornadas de trabalho que mulheres trabalhadoras muitas vezes são obrigadas a cumprir, a invisibilidade do trabalho doméstico e sua importância na sustentação da opressão feminina, e como podemos nos mobilizar contra isso através da criação de creches, escolas e comitês populares para derrubar os muros da universidade, aliviando o peso dessas mulheres, além de ajudar elas e seus filhos no processo educativo, possibilitando o acesso à educação negligenciada pelo Estado. O interesse pelo assunto foi evidente e a todo momento era possível ver expressões de concordância, sorrisos e aplausos no fim das falas.

Especificamente no dia 30, foi realizado um breve cine-debate com o curta “O sonho impossível?”, onde foram retomados e aprofundados os debates dos dias anteriores, momento em que os estudantes pontuaram que a opressão feminina é indissociável da opressão de classe, e que as mulheres por sofrerem além da opressão de classe, também a opressão de gênero, são as primeiras a resistirem contra as injustiças diárias que nosso povo vive, ressaltando a combatividade das mulheres nas favelas que denunciam as chacinas cometidas pela Polícia Militar contra suas famílias nas chamadas operações de “combate às drogas”, as mulheres camponesas na luta pela terra, e em especial foi realizada uma homenagem à companheira Remis Carla, estudante de Pedagogia covardemente assassinada pelo seu ex-namorado, que nos deixou um legado revolucionário no qual se inspirar: a luta pela transformação radical da sociedade, pondo fim a velha ordem de opressão e exploração, particularmente da opressão sexual sobre as mulheres. Para concluir o vitorioso mês de lutas, os estudantes puxaram a consigna: “COMPANHEIRA REMIS CARLA, PRESENTE NA LUTA!”  

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